DeNádegas

Toda quarta um post novo!

PEC

Brasília é uma festa!

Brasília é uma festa!

Durante toda a semana passada eu estive acompanhando toda a movimentação em torno da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) apresentada pelo Deputado Federal do PMDB-SE, Jackson Barreto que trata da possibilidade de um terceiro mandato para Lula, a ser decidido em um plebiscito em setembro. Confesso que no início da semana achava que essa era mais uma das tantas jogadas políticas de Jackson, político ardiloso, estratégico e experiente. Ficava imaginando o que ele iria conseguir apresentando uma proposta que não teria o menor respaldo do congresso ou do povo. Pensei que ele estava na verdade “babando o ovo” do PT para conseguir apoio para as próximas eleições. Ou ainda, atraindo publicidade para fortalecer sua base política em Sergipe. Enfim, razões é que não faltam e realmente não dei muita importância ao fato.

Porém, no meio da semana, já fiquei sabendo que Jackson havia conseguido 21 assinaturas a mais do que precisava para levar sua proposta adiante, o que dava um total de 215 deputados das mais diversas bases, aliadas ou não! Fiquei em estado de choque. Percebi que essa loucura provinciana estava agora se transformando numa proposta real de mudança à nossa constituição. Só não sabia que o pior ainda estava por vir. O Datafolha publicou os resultados de uma pesquisa realizada nas camadas C, D e E, que apresentou como resultado 47% de aprovação a um terceiro mandato de Lula. Aí, joguei a toalha! Já comecei a imaginar o Brasil ser comparado a ditaduras da África, ou países como Cuba e Venezuela, únicos nas Américas que permitem mais de uma re-eleição para presidentes. Confesso que fiquei muito triste em vislumbrar nossa história mais uma vez manchada.

Eu não quero, mas se me derem....

Eu não quero, mas se me derem....

Embora Lula diga que não quer, que o PT diga que não quer e até o “gente boa” do Gilmar Mendes diga que a emenda não passa no STF, se 215 deputados dizem que querem, alguma coisa esquisita tem nessa história. Quem sabe aquela velha história do “eu não sabia de nada”, “eu não vi nada”, ganharia agora mais uma frase célebre: “Eu não queria, mas se me deram…”

Eu comecei a tomar conhecimento da existência de Luiz Inácio Lula da Silva quando eu tinha 15 anos de idade e ele foi candidato a Presidente da República pela primeira vez. Lembro que no dia da eleição as pessoas andavam na rua empolgadas, emocionadas e, principalmente, cheias de esperança de que houvesse um Brasil melhor a partir dali, pois afinal de contas, todos estavam vivendo um momento histórico: as primeiras eleições presidenciais democráticas em 25 anos! Tudo bem que um dia depois, o sonho acabou. Collor chegou confiscando o dinheiro de todo mundo e afundando o resto que havia sobrado do país. O povo ficou mais pobre, o país ficou mais pobre e ficou mais difícil ter alguma esperança.

Mas, o que na verdade me marcou foi que o país finalmente mergulhava em um Estado democrático de fato. Um momento que para ser vivido, custou a vida de muita gente e o sangue e o sofrimento de muitos torturados e exilados pelo regime militar. E, apesar da minha pouca idade, já sabia que Lula tinha sido, ao seu modo, um dos grandes ícones dessa batalha, agora verdadeiramente vencida.

Lula e o PT sempre estiveram vinculados à luta por um Brasil democrático e livre de qualquer tipo de influencia que possa vir de um regime ditatorial. Seria realmente um golpe mortal na história desse país, uma ironia perversa e uma vergonha, ver exatamente o Lula, o PT e seus aliados ceifarem mais uma vez o nosso direito de não ter alguém ou grupo político se perpetuando no poder.

Embora a semana tenha sido desastrosa pra minha consciência cívica, no dia seguinte à divulgação do apoio a PEC por parte dos 215 deputados, a proposta foi retirada de tramitação, porque alguns deputados haviam retirado a sua assinatura. Fiquei animado e esperançoso. Mas, só pude relaxar de vez, após ser divulgado através da revista Veja dessa semana que, na verdade, tudo não tinha passado de mais um golpe de Jackson, que assim como seu desafeto Almeida Lima, insistem em achar que estão legislando na provincial política sergipana. Simplesmente, das 215 assinaturas anunciadas, 32 estavam duplicadas e 17 parlamentares retiraram seus nomes, alegando que nunca haviam assinado a lista. Com isso, reduziram-se a 166 assinaturas, cinco a menos que o necessário.

Finalmente dei uma boa gargalhada! Tudo não passou de um susto. É a mesma politicagem de sempre. Nenhuma novidade que venha a ser um golpe à nossa instituição democrática. Mas, fica o trauma, lógico. Fica aquele medo, aquele burburinho na nossa cabeça, aquela voz que diz que são só cinco assinaturas, que Jackson é um político de mão cheia e que ele pode sim conseguir levar a PEC adiante, pois promete reapresenta-la essa semana.

O fato é que até essa história ter um final definitivo, nós teremos mais uma semana de ameaça à nossa constituição e a nossa democracia, embora a PEC esteja ingenuamente baseada na vontade do povo, já que tem o respaldo de boa parte do congresso para aprovação da PEC e do povo para reeleger Lula. Mas, os conchavos e o uso da máquina do governo para comprar esses votos num provável plebiscito, me fazem crer que esse seria sim um golpe duro contra a democracia desse país.

domingo, 31 maio , 2009 Posted by | Política | Deixe um comentário

Tequila!

No sábado que vem, dia 23 de maio, acontecerá na LIVE uma festa cujo objetivo é relembrar o velho bar Tequila, que funcionou durante mais de dez anos onde hoje é a própria LIVE. A Sibberia, banda nascida e criada no Tequila, vai fazer as vezes da noite junto com a banda A Fábrica e o DJ Luiz Prado. Durante a noite ainda teremos participações de integrantes de bandas que fizeram história por lá, como a Mosaico, a Mr. Magoo e a Fox Lady.

Saindo um pouco da festa de sábado, eu passei a semana pensando naquele “Tequila de antes”. Pensando que ele realmente dá muita, mas muita saudade mesmo! Pra quem não conheceu, o Tequila, inaugurado em 1996, era originalmente um PUB ao estilo Mexicano, com um pequeno palco e capacidade para 400 pessoas. Um lugar pequeno e aconchegante que estava sempre cheio de gente bonita e ligada em um som pop de alta qualidade, diferente do que vemos hoje na maioria dos bares.

Mas, vamos tentar contextualizar o surgimento do Tequila. Naquela época a música sergipana se dividia em MPB, música Regional, principalmente o forró e algumas poucas bandas de rock, em sua maioria ao estilo Metal, que tocavam uma vez ou outra em eventos esporádicos. Como normalmente o público desses eventos eram metaleiros, as bandas pop eram praticamente escorraçadas ou chicoteadas em praça pública. Não havia espaço pra um desenvolvimento autoral, fato que acabou minando bandas de notório talento como a Desvio Padrão e Hemisférios. O Tequila trouxe a proposta de criar um lugar onde só houvesse espaço para o rock, o pop e para música de qualidade. E deu muito certo! O bar abria de quinta a sábado, sempre lotado. Naquele começo as bandas que faziam ponto semanal por lá eram Mr. Magoo (Lelo Almeida, André (eu), Belarmino e Iguassu), Mosaico (Bolinha, Sidney, Ximenes, Diogo e Charles) e a dupla Alex Santana e Perla. Depois Lelo seguiu carreira solo e continuou fazendo um grande sucesso por lá.

A partir daí, surgiram diversas bandas pop. Muitas mesmo. E não tenho a menor dúvida em dizer que essa foi a grande contribuição do Tequila, pois de certa forma despertou os talentos que até então estavam aquietados, já que não havia onde se apresentar e nem muito menos público disposto a ouvir. Com o tempo, novas bandas foram surgindo e o público sergipano passou a gostar também de rock/pop, fato que dura até hoje. O Tequila foi um grande celeiro de bandas, músicos e também um grande formador de opnião, no sentindo de mudar a cultura do público.

Eu simplesmente vivia lá. Ia de quinta a domingo. Mas, de longe, minha banda preferida era Mosaico. Não faltava um show sequer. Não apenas pelo fato de ser amigo de todos os integrantes da banda, mas porque a Mosaico foi a primeira banda que dentro desse cenário trouxe um trabalho autoral digno de respeito. Talvez pela influência que Bolinha e Diogo trouxeram da Desvio Padrão e do excelente e autêntico vocal de Charles, isso acabou sendo um caminho natural para a banda. Infelizmente a banda se desmantelou logo após a gravação do primeiro CD que nunca chegou a ser lançado, embora circule por aí em MP3. Aliás, um excelente álbum! Uma pena que não tenha sido realmente lançado.

A Mr Magoo foi a banda que junto com a Mosaico e a Java movimentavam realmente o Tequila. No caso da Mr Magoo, o trabalho era puramente cover, fazendo uma linha pop/rock internacional tipo U2, Smiths, The Cure, Beatles, e por aí vai. A Mosaico mesclava covers com suas músicas (quem não lembra da primeira música deles, “Madrugada”). E a JAVA era uma linha diferente já totalmente pop.

Pra mim foi um tempo muito especial que deixou muitas saudades mesmo. Aliás, foi o único momento em que eu levei a carreira de músico mais para o lado profissional da coisa. Na verdade eu ganhava mais dinheiro tocando do que coordenando a área de informática do SENAC, meu emprego na época. Então foi sem dúvida uma fase muito legal, de muita curtição mesmo. E de muito aprendizado também, afinal de contas ninguém entendia nada dessa coisa de show business, pois estávamos liderando as recentes mudanças que aconteciam em nossa cultura musical. E por conta disso, apanhamos muito mesmo. Desde levar o famoso “cano” de empresários e patrocinadores, até na escolha errada de shows e apresentações, como numa vez que, já tocando na carreira solo com Lelo, topamos fazer uma festa no meio da semana com a presença do global Gerson Brenner. Foi um fiasco total. Fizemos um show pra dez ou doze pessoas, contando com o bonitão lá. E claro né, voltamos pra casa sem um real no bolso.

Tem muita história relacionada ao Tequila. A partir de agora eu vou tentar, vez em quando, colocar alguma coisa aqui no blog. Até pra ficar registrado, porque a memória da gente vai falhando com o tempo.

Acredito que o Tequila começou a acabar após a tal da reforma que levou a lotação da casa de 400 para 1.300 pessoas. Ficou grande demais para o público de Aracaju e pequeno demais para atrações de maior peso nacional. Sem contar que, ao passar da categoria de PUB para casa de show, o clima e o charme do lugar foram por água abaixo. O bar ainda resistiu por vários anos, mas com muitos altos e baixos. Finalmente o bar foi arrendado e a LIVE sepultou de vez o que ainda restava de qualidade na noite sergipana. O que aconteceu com a LIVE foi basicamente o que aconteceu com o ETNIA e o EXCALIBUR. Como esses bares não tiveram foco, ou seja, tocavam de funk e pagode a rock e forró, simplesmente não se formou público. As pessoas não iam para o bar porque gostavam do bar. Iam porque teria lá alguma atração que lhe agradasse. Na época boa do Tequila, não importava quem tava tocando, até certo ponto. O que as pessoas gostavam era de ir ao Tequila. O lugar e as pessoas eram o principal atrativo, pois sabiam que a música seria boa.

Hoje eu vejo que o Suburbia Bar de certa forma está tentando recuperar esse tempo perdido. Existem muitas características semelhantes entre o Tequila e o Suburbia, embora o momento seja outro. Mas, já vejo que bandas como a VOX, por exemplo, que é uma excelente banda, começa a ter uma visibilidade maior graças a suas apresentações no Suburbia.

E vamo lá pra festa no sábado! Se pelo menos o público de antes estiver por lá, será mais uma noite Tequila pra se não se esquecer.

ps: até amanhã eu publico aqui algumas fotos dessa fase inicial do Tequila.

quarta-feira, 20 maio , 2009 Posted by | Música | 7 Comentários

Esses são dias desleais…

.

.

Denise, mãe solteira de apenas vinte anos, cuida da filhinha, Mariana, de cinco com todo o carinho e sacrifício. Trabalha no turno da noite como atendente num desses postos de combustível, atravessando noites e noites adentro, aturando um monte de gente chata e mal-educada. Tudo pra ganhar um ridículo salário mínimo. Mas sua consciência é sua grande motivadora, pois sabe que a vida da Mariana depende dela. Que é com esse pouco dinheiro que ela vai tentar dar a ela um futuro melhor que o seu próprio. E aí na madrugada entra um sujeito anunciando um assalto. Leva o que pode de todos que estavam ali naquela loja de conveniência, incluindo todo o dinheiro do caixa. Com o produto do roubo na mão, do nada, sem nenhum motivo aparente, o ladrão resolve dar um único e certeiro tiro na cabeça de Denise, mesmo ela não tendo expressado um milímetro de reação. Não reagir a um assalto é como se ladrão e vítima fossem parte de um inusitado, subconsciente e ridículo acordo premeditado, do tipo: você não reage e eu não te mato. É, mas parece que nesse dia, pelo menos pra Mariana, acordos deixaram de fazer sentido. Agora, em cada novo assalto, a sensação será a de estar em um daqueles duelos do velho oeste, em pleno século XVIII, onde os personagens contam dez passos de costas um para o outro e em seguida viram atirando. O mais rápido vence. O derrotado, morre.

—————————————————————————————————

Antenor é um típico brasileiro. Gosta de futebol, de cerveja e daquela carninha assando numa churrasqueira qualquer. Depois de muito suor e muito sacrifício, formou-se e logo em seguida conseguiu passar num concurso público. Passou a fazer parte daquele seleto grupo que tem emprego garantido pro resto da vida. Mas, como o concurso não foi para o judiciário, ele ganha mal, apesar de tudo. Ganha mal porque ganha o suficiente pra entrar nas garras do leão e o insuficiente pra conseguir manter um padrão de vida adequado para si e para seus três filhos. De cada três meses de trabalho, um ele “doa” para o governo. São quatro meses de trabalho por ano pagos com impostos diretos! Fora os indiretos. Pensou várias vezes em voltar pra informalidade, mas fica o medo da incerteza. Sente-se aprisionado entre a compulsória doação ao governo, mas com uma merrequinha certa no final do mês e a cruel dúvida de não saber se terá dinheiro pra pagar as contas mensais.

Outro dia precisou levar o filho numa urgência pediátrica. Era madrugada em Aracaju e ele percorreu três hospitais com a criança queimando em febre. Em todos disseram que não havia pediatria. Achou um último, esse particular, que tinha passado o dia inteiro fechado por excesso de pacientes, mas por sorte tinha acabado de reabrir. Recebeu um atendimento meiota, afinal o médico estava trabalhando havia doze horas.

A coisa apertou de vez e ele resolveu colocar os filhos em escola pública. Visitou algumas. Numa delas, não conseguia chegar à sala de aula sem ter que passar pelo mato de quase 30cm que crescia na lama que separavam os blocos. Em outra, a diretora avisou que não tinha previsão para iniciar as aulas porque não havia professores. Na escola dita modelo, os computadores do laboratório de informática estavam quebrados. Para a filhinha caçula, não havia merenda escolar, pois o dinheiro não chegou. Ficou no bolso de algum “corruptocrata”. Desistiu.

Queria que o governo desistisse dele também. Esquecesse dele e de cobrar os impostos, já que o custo tão alto não encontra na sociedade a qualidade de vida que justifique os quatro meses de salário que paga em impostos por ano.

——————————————————————————————————-

Danielle é uma daquelas mulheres que conseguem unir duas grandes qualidades raras de se ver: possui e defende seus ideais e tem a garra e a coragem de “meter as caras”. Ligada desde cedo a música, começou a promover alguns eventos pra tentar criar uma cena na música independente de Aracaju. Aos poucos a coisa foi dando certo e, vendo que a maioria dos bares de Aracaju não ofereciam um identidade única no aspecto musical, visualizou aí uma oportunidade de negócio e abriu seu próprio bar. Colocou um palco pequeno, criou um ambiente aconchegante e criou um espaço pros artistas sergipanos se apresentarem e mostrarem sua música. Como era de se esperar, o bar foi um sucesso.

Mas um belo dia, ironicamente durante a apresentação de uma banda de rock clássico, Danielle e os músicos da banda se viram num túnel do tempo, de volta aos tempos da ditadura. Um bando de militares do exército, armados de fuzis e metralhadoras, a mando de um empresário concorrente e de um político decadente, resolveram “acabar com o mal pela raiz”. Numa ação ilegal, digna de governos militares, ou de resquícios de governos militares, quiseram prender os equipamentos e instrumentos da banda e mais o equipamento de som do bar. Parece que o sucesso de Danielle incomodou. Durante as discussões que levaram madrugada adentro, o próprio comandante da estúpida ação militar, reconheceu que não tinha o direito de fazer o que estava fazendo, mas que se não cumprisse as ordens, ele mesmo seria preso ao voltar ao quartel.

Pobre Daniella .. tinha achado que esse tipo de coisa tinha virado história nos livros biográficos dos perseguidos pela ditadura. Jamais poderia imaginar que ela mesma vivenciaria tamanha arbitrariedade em pleno século XXI. Mas, pelo menos nesse dia, após muitos e muitos argumentos, os milicas ou malacas (escolha o adjetivo), resolveram levar apenas uma pequena parte do material, liberando o equipamento da banda. No mesmo dia, a justiça, através de um juiz de plantão, assegurou o funcionamento do bar e determinou que tal ação não poderá se repetir. Hã! Logo quem! A “cega” justiça! Danielle foi dormir pensando que já não bastava lutar contra uma justiça desprovida da tal venda nos olhos e agora ainda teria que brigar com militares armados de fuzis e metralhadoras. E completou, dizendo bem baixinho pra si mesmo: esses têm sido dias desleais

Obs: todos as três histórias, infelizmente, são baseadas em fatos reais que aconteceram na semana passada.

segunda-feira, 11 maio , 2009 Posted by | Geral | 3 Comentários

Caros amigos,

O vídeo da banda Sibberia foi selecionado pela equipe da Globo e publicado no site do programa do Faustão no quadro Garagem do Faustão! Agora a gente precisa da sua ajuda pra conseguir o maior número de acessos possível e quem sabe concorrer a uma apresentação ao vivo.

Você só precisa acessar o link abaixo e dar sua nota para a música da banda clicando nas estrelinhas que aparecem logo abaixo do vídeo. Vote em CINCO estrelinhas!!!! :))

http://domingaodofaustao.globo.com/Domingao/Garagemdofaustao/0,,16989-p-V1017050,00.html

Se possível faça um comentário também pra ajudar.

Vamos dar nossa contribuição à música Sergipana!

Grande abraço e obrigado pela força!!

André

terça-feira, 5 maio , 2009 Posted by | Música | 1 Comentário

Coverama Neles!!!

Próximo sábado, dia 18 de abril, teremos a 2ª eliminatória de um dos festivais de música mais divertidos de Aracaju. O Coverama!! Trata-se de um festival de bandas cover que tentam imitar ao máximo os originais, incluindo figurino, instrumentos, cenário e até as esquisitices dos integrantes. São nove bandas por noite, em um total de cinco eliminatórias agendadas desde o último dia 14 de março até o dia 5 de setembro, com apresentações que vão do Abba ao Helloween, passando por Amy Winehouse, Beatles, Madonna, Rush e até Spice Girls!!!! São 45 bandas ao todo.

Eu fui a várias edições e sempre curti muito a festa. Várias tribos reunidas, clima bom, todo mundo se amarrando no som e, claro, muita gente irreverente. O som começa a rolar a partir das 19:00 e atravessa a madrugada. Sempre na ATPN, na atalaia.

Uma das coisas que mais me chama a atenção nesse festival é o grande número de ótimos músicos que a cada dia surgem nessa cidade. A imensa maioria, galera jovem, cheia de talento e, principalmente, de tempo disponível para investir e quem sabe tornarem-se músicos profissionais. O que é um grande paradoxo, pois não vemos no dia-a-dia todo esse pessoal tocando pelos bares ou casas de show da cidade. O que reforça o fato de que Aracaju não tem mesmo opções para que uma banda nova e independente possa mostrar o que tem de melhor. Justa exceção se faça ao Suburbia que tem inserido em sua programação bandas de diversos estilos e muitos iniciantes. Mas, ainda é muito pouco diante da necessidade do público e da grande quantidade de gente boa por aí, infelizmente largada e perdida em garagens.

O cenário da música alternativa em Aracaju precisa de muito incentivo e o Coverama tem dado sua contribuição, apresentando ótimos músicos fazendo as mais irreverentes apresentações, tentando chegar o mais próximo possível dos seus originais ídolos. Lembro, por exemplo, de uma apresentação divertidíssima dos Ramones Cover, ou ainda da excelente apresentação de uma banda (não me recordo agora o nome), formada só por mulheres. E todas mandando muito bem!!! Especialmente a baterista que coloca muito “cueca” no bolso.

Acho apenas que os critérios de julgamento poderiam evoluir, pois os vencedores do festival são definidos através do voto popular. Teoricamente, ninguém mais inteligente que o público pra decidir qual a melhor banda cover. Porém, o que acontece na prática é que quem consegue a maior quantidade de votos, seja por lobby ou por ter uma maior quantidade de fiéis amigos ou ainda simplesmente por ter feito uma “melhor campanha” e não “um melhor show”, acaba levando a premiação. Talvez fosse mais justo se um júri formado por pessoas ligadas a música, com o necessário conhecimento técnico e artístico também contribuíssem para a nota final. Mas, isso não tira o brilho do festival e se você tá a fim de montar uma banda ou simplesmente dar uma olhada no nível dos músicos de Aracaju, o Coverama é o lugar.

Maiores informações, incluindo toda a programação, no site www.coverama.com.br

Abração!!

quarta-feira, 15 abril , 2009 Posted by | Música | Deixe um comentário

Fragmentada

Fragmentada

Fragmentada

Esse final de semana tive o imenso prazer de ver meu grande amigo, irmão e parceiro de muitas e muitas tocadas vida afora, Thiago Ribeiro (Thiagão), fazer o seu primeiro show como intérprete e compositor, lançando seu primeiro CD, chamado Fragmentada.

Foram três shows em Salvador, onde reside já há mais de dez anos, e mais três shows em Aracaju. Assisti a dois shows em Aracaju e fiquei realmente impressionado com o que ouvi. Acompanho a carreira de Thiago desde que começamos juntos aos 16 anos na Banda Desvio Padrão. Às vezes apenas de longe, às vezes mais de perto, mas sempre reconhecendo e torcendo que todo o talento que sempre presenciei ao longo desses anos pudesse em algum momento se tornar notório. E acho que ficou pra mim a impressão de que o primeiro passo pra que isso aconteça foi dado com o lançamento de Fragmentada.

As músicas são muito boas. Alguma coisa flertando entre o pop, o rock e a MPB. O mais legal é que todas dão a impressão de que haviam sido compostas há muitos anos, dado o nível de amadurecimento das letras, harmonia e arranjos. O que é difícil de se ver em estréias, pois se leva um tempo natural para que o compositor encontre o ponto certo. Senti como se as músicas tinham, à revelia, encontrado naturalmente seu momento e seu lugar.

Eu particularmente detesto aqueles rótulos do tipo: parece com esse ou aquele artista. Mas, é natural você ficar buscando de onde vem aquele som, quais são as influências e os parâmetros. Todo mundo tem os seus. Mas, o importante é que no momento de criar seu próprio trabalho, essas referências sejam apenas referências e não se tornem cópias. E estilo pra mim, não se cria, não se inventa. Você já tem no DNA e ele é formado e lapidado ao longo de sua vida. E ouvindo o show Fragmentada, pude perceber que o som tem muito a cara de Thiago. É o mesmo estilo de composição, de letras, de arranjos que eu vejo desde que gravamos a primeira demo da Desvio Padrão. Tanto que o show é coeso, sem mudanças bruscas de ritmos ou de qualquer tentativa de se colocar uma música tipo “chiclete”, pra galera gostar e aplaudir, diante de tantas outras músicas ainda não conhecidas pelo público. Um truque barato usado por muitos artistas que estão começando. Na verdade o show de Thiago não apresenta covers, apresenta apenas duas releituras. Ou seja, você pega uma música de outro compositor e dá uma mexida nela, de forma que fique a sua cara. Foi o que ele fez com Eleanor Rigby (Paul McCartney) e com Todo Amor que Houver Nessa Vida (Cazuza/Frejat). Em ambas ele dá um nó na música, vira do avesso e deixa com a cara fragmentada.

Thiago toca guitarra e se apresenta com seu xará Thiago Trad na bateria e com Renato Hishihara, este na companhia de seu invejável baixo Fender Jazz Bass modelo Geddy Lee. Um trio que produz uma massa sonora coesa, precisa e convincente. O grande destaque da banda é sem duvida o vocal de Thiago que está cada dia melhor, no sentido de mixar com extrema competência a técnica, a suavidade natural de sua voz e a agressividade exigida pelas próprias músicas em alguns momentos.

Mas, o ponto alto do show pra mim é a música Soraya Só. Eu ouvi essa música pela primeira vez no seu estúdio em Salvador e foi difícil segurar a emoção. Sabe aquela música que de tão bonita e sincera, lhe dá uma espécie de solavanco. Faz você viajar por dentro dela. E é assim todas as vezes que escuto.

Agora, o mais legal foi ver que Thiago cresceu muito no aspecto palco. Seu já conhecido perfeccionismo, aliado a uma certa timidez ou qualquer coisa parecida, já nos proporcionaram algumas cenas bastante peculiares. Na adolescência então, dava um trabalho danado antes de subir ao palco. E dessa vez, foi até engraçado, porque minutos antes do show começar na Rua da Cultura, sua guitarra, por acidente, caiu do alto do palco de dois metros de altura e sofreu uma pequena rachadura. Pra um guitarrista, não existe nada pior no mundo do que ver sua querida guitarra machucada. Em outros tempos, sem pestanejar, o show estaria sumariamente cancelado! Mas, Thiago respirou fundo e fez o show como se nada tivesse acontecido, num exemplo de profissionalismo e de amadurecimento.

E é por essas e outras que acho que o cara está pronto pra ser finalmente reconhecido pelo artista que é. Fragmentada é um belíssimo trabalho que credencia Thiago Ribeiro a entrar definitivamente no cenário musical desse país. E com o pé direito.

Pra você conhecer um pouco mais e ouvir duas músicas

http://www.myspace.com/thiagoribeirofragmentada

quinta-feira, 2 abril , 2009 Posted by | Música | 4 Comentários

Acabou!!!

Galera, fim de férias. Tô ainda “pegando no tranco”, mas quarta-feira retomo os posts aqui no deNádegas. O show do Radiohead foi simplesmente fantástico! Ia até postar alguma coisa aqui, mas o texto que minha mais linda e inteligente mulher melhor jornalista do planeta escreveu está perfeito. Retrata tudo com perfeição.

Então, pra saber o que rolou lá na Apoteose, dê um lida aqui …

Blog de Kaká

Até quarta!!!

segunda-feira, 30 março , 2009 Posted by | About me | 1 Comentário

Across the Universe

Across the Universe

Across the Universe

Eu costumo dizer que quanto mais eu conheço e escuto Beatles, mais eu tenho certeza que aqueles quatro caras representam a maior banda de rock de todos os tempos. É impressionante a riqueza cultural, artística, inovadora e técnica que se extrai da obra dos “fab four” e que os tornam imensamente importantes dentro do cenário artístico em todo mundo. Existem dezenas de milhares de obras catalogadas cujo tema central é Beatles, mas o que vem acontecendo ultimamente é de deixar qualquer fã chorando feito criancinha. Após quarenta anos de seu último show, grandes movimentos artísticos em diversas áreas tipo, cinema, música, literatura, televisão, teatro, etc, têm investido em obras baseadas nos quatro garotos de Liverpool.

E não é coisa pequena não! Pra se ter uma idéia, o Hotel Cassino Mirage, em Las Vegas, construiu um teatro moderníssimo apenas para abrigar em caráter permanente as apresentações do Cirque d Soleil em sua obra baseada na história dos Beatles, um espetáculo incrível chamado LOVE que merecerá um post em breve.

Mas, hoje eu gostaria de falar da última grande obra de arte que vi sobre os Beatles, e dessa vez foi no cinema. Across the Universe é uma produção americana lançada por lá em 2007 e que chegou ao Brasil em 2008. A direção é de Julie Taymor que também dirigiu Frida.

O filme é na verdade um musical baseado em 33 músicas dos Beatles, passado na segunda metade dos anos 60, e que conta a história de Jude, inglês de Liverpool que decide ir até os Estados Unidos procurar seu pai. Lá ele conhece Max, um americano doidão e acaba se apaixonando pela irmã dele, a Lucy. Como New York vive o auge dos movimentos da contra-cultura, psicodelia e protestos contra a guerra do vietnã, Lucy acaba se envolvendo com uma turma da pesada e coloca o amor deles em risco.

Parece um roteiro até comum, nada demais. O grande lance é que tudo no filme são referências à obra dos Beatles. Desde o nome dos personagens que são extraídos de personagens criados nas músicas dos Beatles, aliás, se você for um bom observador, percebeu que Jude, Lucy e Max saíram das músicas Hey Jude, Lucy in the Sky with Diamonds e Maxwell’s Silver Hammer. Nós ainda podemos encontrar ao longo do filme grandes amigos de longa data, como Sadie, Jojo, Prudence, Dr. Robert e Mr. Kite.

A direção da Julie é um espetáculo à parte. Pra mim o grande mérito foi o fato de que ela não se ateve à estética dos filmes “holliwoodanos” que normalmente têm um roteiro fixo, previsível e dentro da normalidade. Ela se deixou levar pelas interpretações das canções. E quando é necessário “viajar” junto com a idéia da música, o filme leva o espectador pra essa viagem. Como na cena em que Dr. Robert, interpretado por Bono Vox, numa participação pra lá de especial, leva Jude e seus amigos para uma Magical Mistery Tour, num ônibus mais louco ainda que o original de 1967, numa viagem de ácido tal qual os caras tiveram nos anos sessenta. Os efeitos visuais e especiais ajudam a entrar “no clima”.

Cenas do Filme

Cenas do Filme

Aliás, o filme é cheio de detalhes que remetem a história de Paul, Lennon, George e Ringo. São inúmeras referências, desde o show no telhado da banda de Sadie, amiga de Jude e Max (Sadie é uma referência a Janis Joplin e seu guitarrista e namorado, Jojo, a Jimi Hendrix.), até ao poster de Brigitte Bardô, paixão de adolescente de John Lennon. Pra quem é fã dos Beatles é uma delícia assistir ao filme inúmeras vezes pra encontrar essas referências em pequenos detalhes.

Outro fato de chamar a atenção é a trilha sonora. Tá, tudo bem, a gente já sabe que todas as músicas são dos Beatles, mas o que chama a atenção é que as músicas ganharam versões originais interpretadas pelos próprios atores (todos cantam maravilhosamente bem) e gravadas no próprio set de filmagem, durante as gravações das cenas, sem truques de estúdio ou qualquer outra coisa. E o resultado final é surpreendente! Como em todo musical as músicas acabam fazendo parte do texto e da narração da história. No caso de Across the Universe, o texto cantado acaba sempre convergindo num texto falado, numa sacada ótima do roteirista. E como em casos raros, raros mesmos, as versões das músicas dos Beatles feitas para a trilha, são muito boas. A grande maioria é de emocionar mesmo. São versões lindíssimas, muito bem interpretadas e gravadas. Como na versão de Let It Be, cantada por um coral típico das igrejas do Harlem. Essa é de arrepiar!

O filme é maravilhoso e merece ser assistido inúmeras vezes. Agora, o que me chama a atenção é o quanto que os Beatles são culturalmente ricos, o quanto que a obra deles é fantástica a ponto de inspirar outras obras artísticas igualmente fantásticas, baseadas na música, na vida pessoal e nas lutas que travaram ao longo de suas carreiras, a exemplo de Lennon e sua obsessão pela paz.

É claro que como em toda a banda, esse amadurecimento não chega rápido. É necessário um tempo e no caso dos Beatles é notória a diferença do conteúdo artístico da banda a partir do álbum Rubber Soul. E o roteiro do filme é baseado, em sua maioria, a partir de músicas gravadas dessa chamada “segunda fase” da carreira da banda. Normalmente quando alguém diz pra mim que não gosta de Beatles, porque as músicas são fáceis, são pop demais ou que aquela coisa do “iê, iê, iê” é um saco, eu sempre penso: esse aí não conhece nada de Beatles e não sabe o que ta perdendo!

A verdade é que eu olho em volta desse cenário pop/rock e não consigo encontrar nenhum outro artista que consiga lotar casas de shows mundo afora com bandas covers, vender discos, inspirar tantas obras magníficas e tudo isso tendo encerrado as atividades há quase 40 anos!!!

Os Beatles não representam o passado e nem tampouco o futuro. Suas músicas são atemporais, sua obra continua inovadora, suas músicas ainda lotam estádios ao redor do mundo, basta lembrar que ainda ontem Paul McCartney vendeu 4.000 ingressos para um show em Vegas em sete segundos!!! Segundos mesmo! Recorde absoluto da história. E o público dos Beatles se renova a cada geração. Meus filhos de cinco e seis anos adoram Beatles, adolescentes lotam barzinhos mundo afora pra ouvir bandas covers de Beatles , enquanto mais e mais publicações dão cada vez mais destaque à sua música.

Site oficial do filme
http://www.sonypictures.com/homevideo/acrosstheuniverse

Site oficial dos Beatles
http://www.thebeatles.com

Pra você encontrar todas as referências de Beatles do filme
http://en.wikipedia.org/wiki/Across_the_Universe_(film)

quinta-feira, 12 março , 2009 Posted by | Música | 2 Comentários

Parabéns Beleco!!!

Beleco e o Papai!

Beleco e o Papai!

Fim de carnaval, fim do ócio.  É engraçado como no Brasil tudo entre as festas de fim de ano e o carnaval parece andar a passos de tartaruga, esperando chegar março pra coisa engrenar de vez.   E durante essa semana de carnaval não foi diferente comigo.  Rolou uma certa “preguiça” pra escrever.  Mas, de volta à vida, não poderia deixar de comentar aqui com vocês sobre  o aniversário do meu filhote Bernardo!

O Beleco completou cinco anos no último dia 25 de fevereiro, em plena quarta-feira de cinzas.  Aliás, que de cinza não teve nada.  Ter filhos é uma experiência única, impossível de ser escrita, dita ou cantada.  É uma experiência pra ser sentida e a oportunidade de viver um amor verdadeiramente incondicional e pra sempre.  O mais engraçado é que quando me tornei pai eu achava que iria ser o tal do “papai sabe-tudo”. Que iria ensinar um monte de coisas pra eles.  Claro, eles realmente aprendem muito comigo, afinal, tô aqui pra isso, não é!?  Mas, eu me assustei com o quanto que eu aprendi com eles.  A verdade é que ensinamos e aprendemos um ao outro na mesma medida.   As crianças têm muito a ensinar aos adultos. 

O Bernardo é um filho maravilhoso.  Ele é capaz de fazer as maiores travessuras e ao mesmo tempo os maiores gestos de carinho e humanidade que já vi.  É capaz de me tirar do sério num minuto e no seguinte me fazer chorar com uma palavra ou um gesto de carinho.  Ele é muito intenso em tudo que faz e ao mesmo tempo sensível e “desligado” de coisas que pra outras pessoas seriam tão importantes e fúteis ao mesmo tempo.  Tem um sorriso arrasador,  uma gargalhada contagiante, um abraço capaz de aquecer até um coração de pedra e o beijo mais molhado que já levei!   E por mais cansado que esse “maluquinho” me deixe, chegar no final do dia na hora de dormir, receber um beijo, um carinho  e ouvir palavras do tipo “Você é o melhor pai do mundo! Te amo papai!” é como uma explosão de energia que me deixa tonto, atordoado, mas pronto pra começar tudo de novo no dia seguinte, como se fosse o primeiro dia.  

Eu amo profundamente os meus filhos, Artur e Bernardo, são tudo que tenho de mais importante e não dou um passo em minha vida sem colocá-los na frente.  E se já não bastasse o tanto de alegria que eles me dão, ainda tive a felicidade de ter mais uma criança em minha vida.  A Malu, filha da Kaká, minha mulher.  Um presente que recebi e que deixa a casa e meu dia mais feliz.  Então, posso dizer hoje que sou um cara realmente abastado.  Tenho tudo de mais importante que alguém poderia ter.  E a você meu filho, desejo tudo de mais belo e intenso que a vida puder te oferecer e que você puder conquistar. Parabéns, por seu aniversário e por tornar a vida de tanta gente mais feliz.

terça-feira, 3 março , 2009 Posted by | About me | 1 Comentário

Tiro no pé

“Tiro no pé” é uma expressão muito usada no mundo dos negócios pra retratar situações em que uma empresa ou funcionário espera dar um tiro certeiro, mas erra tanto a pontaria que acaba acertando o próprio pé. Metaforicamente, claro! Em outras palavras, os caras tentam criar alguma coisa pra ganhar mais dinheiro, mas acabam perdendo muito mais do que esperavam ganhar.

O fato é que eu não consigo encontrar uma expressão mais adequada para retratar as mudanças empregadas pela indústria fonográfica nos últimos 20 anos. Foi um verdadeiro tiro no pé! E logo nos dois pés! Eles fizeram tudo errado e agora estão enfrentando as consequências. Vendas em baixa, pirataria em alta, investimentos cada vez maiores, lucros cada vez menores, prejuízo onde antes se enchia o bolso de dinheiro e o pior, uma total descrença dos consumidores em seu principal produto nos dia de hoje … o CD.

Até a década de 80 as grandes gravadoras investiam em artistas, ou seja, descobriam pelo mundo pessoas com talento e grande potencial comercial, evidentemente. Encontrado o sujeito, as gravadoras começavam um processo de formação do artista que basicamente significava encontrar o seu público, ajudá-lo a encontrar sua música e a melhor forma de divulgá-la, distribuí-la e vendê-la. Esse processo poderia levar anos e já era de praxe que o primeiro disco daria prejuízo, o segundo, na melhor das hipóteses poderia empatar e o dinheiro só começava a chegar a partir do terceiro disco, não sendo raro os casos em que os lucros eram capazes de cobrir os prejuízos dos dois discos anteriores. A grande questão é que as gravadoras trabalhavam o artista, vendiam o artista e o protegiam, muitas vezes de si mesmo. A grande vantagem desse modelo de negócio é que o público era levado a gostar do artista em si, de sua obra e arte, e não especificamente de uma música ou outra. Quando alguém nos anos setenta ia comprar um disco ele não chegava na loja e pedia “Me dá aí a música SOSSEGO” ou ainda “Quero comprar SOMETHING”. As pessoas pediam: “me dá o novo disco do TIM MAIA” ou “Me dá esse disco dos BEATLES”. Isso tem um significado muito profundo e importante. É uma relação de fidelidade entre o artista e seu público. Não importa o que vem no conteúdo do disco, eu gosto é do artista. Me identifico com sua obra e normalmente gosto de tudo que ele faz. As ações de marketing e de vendas levavam o público a agir dessa forma. E agindo assim, consequentemente, as pessoas compravam o disco, pois era a única forma de ter contato com a obra do artista.

A partir da década de oitenta a indústria fonográfica criou uma nova estratégia de marketing e vendas. Os caras começaram a pesar e ver que dava a maior trabalheira ficar cuidando desses artistas, muitas vezes temperamentais e excêntricos. Sem contar que o lucro tinha que vir logo, não dava pra esperar três ou quatro anos. E aí criaram o conceito de HIT. Ou seja, eu agora não preciso ter um artista, um álbum ou uma obra. Preciso de uma ou duas músicas que sejam sucesso imediato. O resto do álbum pode ser ruim, mas se eu tiver a música certa tocando nas rádios, eu vou conseguir ganhar dinheiro. Pois é, parecia uma ótima idéia. Mas, foi aí que os caras deram um belo e certeiro “tiro no pé”. A necessidade de ter uma música tocando nas rádios criou o famoso “jabá”. Pra quem não conhece o termo, “Jabá” é uma quantia que se paga a uma rádio, jornal, revista ou televisão para ter uma música tocando com frequência. Isso acontece em todos os meios de comunicação e o preço varia de acordo com o programa. Pra vocês terem uma idéia, uma apresentação no Faustão pode custar de 40 a 80 mil reais, dependendo do tempo de participação. Uma banda iniciante deixa em torno de 50 mil por mês nas rádios. ah! pra você ter a sua música como música da semana, ou entre as “dez mais”, o preço é outro, claro.

O “jabá” é uma faca nas costas das bandas que estão começando ou para as chamadas “independentes”. Porque, aumenta os investimentos, exclui do mercado os artistas que ainda não tem público formado e literalmente engana o consumidor que é obrigado a ouvir o que as rádios “negociaram” e não o que os ouvintes pediram. Há também os que defendem a prática, alegando que as gravadoras compram o espaço na mídia, tal qual estariam comprando um espaço publicitário.

Fora isso, com a necessidade de um hit, houve uma mudança cultural nos consumidores de CD. Eles simplesmente deixaram de comprar a bolachinha original e começaram a comprar o tal do “CD pirata”. E, na minha opnião, o principal culpado dessa mudança é a própria indústria fonográfica que abdicou do artista em favorecimento da tal da “música de trabalho”. A grande questão é que na verdade o público deixou de comprar o artista e passou a comprar a música, o hit. Só que nos dias de hoje a música pode ser baixada pela internet, pode ser gravada num CD, pode ser enviada por email, pode ser transferida por celular, enfim, a música não precisa do CD ou do DVD. Ela vai por si só. E de graça!!! Então, já que não existe mais a referência do artista, já que o consumidor foi doutrinado a gostar do hit, pra que ele vai gastar trinta reais num CD, numa obra artística, se ele pode pagar cinco reais numa cópia pirata que terá a música que ele quer do mesmo jeito. É uma questão de valor, não no sentido monetário da palavra, mas sim no respeito que temos pelas coisas que compramos.

O pior é que o consumidor quer essa música porque ela toca na rádio dez vezes por dia em função de um jabá previamente pago, o que acaba virando uma verdadeira lavagem cerebral. Duvida? Então faça aí um exercício rápido. Pense em quantas músicas que você não gosta e que você sabe cantar parte da letra, ou até mesmo a música inteira. Você não gosta da música, mas foi exposto a ela por tanto tempo que seu cérebro gravou e, em alguns casos, passou até a gostar, porque ela se tornou familiar a você. É assim que funciona.

Além disso, as gravadoras passaram a ter um custo maior de investimento nos artistas de seu catálogo. Sabe por quê? Porque junto com o tal do HIT tem que ser criado, montado, divulgado e depois esquecido, um novo artista. Os caras tem que criar um “produto” que dure por dois anos e aí tem que criar outro pra vender um novo hit. E por aí vai. As carreiras estão ficando cada vez menores. E quantos artistas ruins ou até mesmo bons lançaram um ou dois discos, fizeram um sucesso tremendo e hoje não fazem mais nada. A música e o artista passaram a ser descartáveis pras gravadoras. Essa é que é a verdade. É interessante como isso acontece em frente aos nosso olhos e a gente não percebe. Ou você acha que essa sucessão de estilos em evidência na mídia é coincidência? Sertanejo, samba, pagode, axé, pop, forró, etc, se revezam e promovem novos grandes artistas com prazo de validade.

O resultado disso tudo é que não temos mais raízes culturais, clientes fiéis ou artistas. Temos agora uma grande massa corporativa, movida apenas pela capacidade de geração de lucro, sem a preocupação de aliar cultura a negócios como parceiros e não como competidores. Algumas gravadoras independentes estão tentando mudar esse cenário desolador, mas o estrago foi grande. Vamos torcer pra que elas tenham força pra mudar o rumo dessa história.

quarta-feira, 18 fevereiro , 2009 Posted by | Música | 2 Comentários