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PEC

Brasília é uma festa!

Brasília é uma festa!

Durante toda a semana passada eu estive acompanhando toda a movimentação em torno da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) apresentada pelo Deputado Federal do PMDB-SE, Jackson Barreto que trata da possibilidade de um terceiro mandato para Lula, a ser decidido em um plebiscito em setembro. Confesso que no início da semana achava que essa era mais uma das tantas jogadas políticas de Jackson, político ardiloso, estratégico e experiente. Ficava imaginando o que ele iria conseguir apresentando uma proposta que não teria o menor respaldo do congresso ou do povo. Pensei que ele estava na verdade “babando o ovo” do PT para conseguir apoio para as próximas eleições. Ou ainda, atraindo publicidade para fortalecer sua base política em Sergipe. Enfim, razões é que não faltam e realmente não dei muita importância ao fato.

Porém, no meio da semana, já fiquei sabendo que Jackson havia conseguido 21 assinaturas a mais do que precisava para levar sua proposta adiante, o que dava um total de 215 deputados das mais diversas bases, aliadas ou não! Fiquei em estado de choque. Percebi que essa loucura provinciana estava agora se transformando numa proposta real de mudança à nossa constituição. Só não sabia que o pior ainda estava por vir. O Datafolha publicou os resultados de uma pesquisa realizada nas camadas C, D e E, que apresentou como resultado 47% de aprovação a um terceiro mandato de Lula. Aí, joguei a toalha! Já comecei a imaginar o Brasil ser comparado a ditaduras da África, ou países como Cuba e Venezuela, únicos nas Américas que permitem mais de uma re-eleição para presidentes. Confesso que fiquei muito triste em vislumbrar nossa história mais uma vez manchada.

Eu não quero, mas se me derem....

Eu não quero, mas se me derem....

Embora Lula diga que não quer, que o PT diga que não quer e até o “gente boa” do Gilmar Mendes diga que a emenda não passa no STF, se 215 deputados dizem que querem, alguma coisa esquisita tem nessa história. Quem sabe aquela velha história do “eu não sabia de nada”, “eu não vi nada”, ganharia agora mais uma frase célebre: “Eu não queria, mas se me deram…”

Eu comecei a tomar conhecimento da existência de Luiz Inácio Lula da Silva quando eu tinha 15 anos de idade e ele foi candidato a Presidente da República pela primeira vez. Lembro que no dia da eleição as pessoas andavam na rua empolgadas, emocionadas e, principalmente, cheias de esperança de que houvesse um Brasil melhor a partir dali, pois afinal de contas, todos estavam vivendo um momento histórico: as primeiras eleições presidenciais democráticas em 25 anos! Tudo bem que um dia depois, o sonho acabou. Collor chegou confiscando o dinheiro de todo mundo e afundando o resto que havia sobrado do país. O povo ficou mais pobre, o país ficou mais pobre e ficou mais difícil ter alguma esperança.

Mas, o que na verdade me marcou foi que o país finalmente mergulhava em um Estado democrático de fato. Um momento que para ser vivido, custou a vida de muita gente e o sangue e o sofrimento de muitos torturados e exilados pelo regime militar. E, apesar da minha pouca idade, já sabia que Lula tinha sido, ao seu modo, um dos grandes ícones dessa batalha, agora verdadeiramente vencida.

Lula e o PT sempre estiveram vinculados à luta por um Brasil democrático e livre de qualquer tipo de influencia que possa vir de um regime ditatorial. Seria realmente um golpe mortal na história desse país, uma ironia perversa e uma vergonha, ver exatamente o Lula, o PT e seus aliados ceifarem mais uma vez o nosso direito de não ter alguém ou grupo político se perpetuando no poder.

Embora a semana tenha sido desastrosa pra minha consciência cívica, no dia seguinte à divulgação do apoio a PEC por parte dos 215 deputados, a proposta foi retirada de tramitação, porque alguns deputados haviam retirado a sua assinatura. Fiquei animado e esperançoso. Mas, só pude relaxar de vez, após ser divulgado através da revista Veja dessa semana que, na verdade, tudo não tinha passado de mais um golpe de Jackson, que assim como seu desafeto Almeida Lima, insistem em achar que estão legislando na provincial política sergipana. Simplesmente, das 215 assinaturas anunciadas, 32 estavam duplicadas e 17 parlamentares retiraram seus nomes, alegando que nunca haviam assinado a lista. Com isso, reduziram-se a 166 assinaturas, cinco a menos que o necessário.

Finalmente dei uma boa gargalhada! Tudo não passou de um susto. É a mesma politicagem de sempre. Nenhuma novidade que venha a ser um golpe à nossa instituição democrática. Mas, fica o trauma, lógico. Fica aquele medo, aquele burburinho na nossa cabeça, aquela voz que diz que são só cinco assinaturas, que Jackson é um político de mão cheia e que ele pode sim conseguir levar a PEC adiante, pois promete reapresenta-la essa semana.

O fato é que até essa história ter um final definitivo, nós teremos mais uma semana de ameaça à nossa constituição e a nossa democracia, embora a PEC esteja ingenuamente baseada na vontade do povo, já que tem o respaldo de boa parte do congresso para aprovação da PEC e do povo para reeleger Lula. Mas, os conchavos e o uso da máquina do governo para comprar esses votos num provável plebiscito, me fazem crer que esse seria sim um golpe duro contra a democracia desse país.

domingo, 31 maio , 2009 Posted by | Política | Deixe um comentário