DeNádegas

Toda quarta um post novo!

Números da nova BeatleMania

Beatles

Beatles

Após uma semana do re-lançamento de todo seu catálogo com a qualidade sonora do século XXI, os Beatles voltam a liderar as listas de discos mais vendidos. Acompanhe:

– Segundo a Billboard, os Beatles vendem em média 1 milhão de discos por ano na América. Na primeira semana após o re-lançamento de seu catálogo, já venderam 626 mil cópias nos Estados Unidos.

– Na parada Billboard para discos com no mínimo 18 meses de lançados, os Beatles ocupam os nove primeiros lugares com “Abbey Road” liderando.

– Na lista Top Catalog Album Chart, os Fab Four ocupam simplesmente 15 dos 20 primeiros lugares, ou seja, todos os seus 13 álbuns de estúdio e as compilações “Past Masters” e “One” estão no Top 20. Os outros lugares são para Michael Jackson, na 6ª, 15ª e 16ª colocações e para os rappers de plantão.

– Na Billboard 200, lista para albuns inéditos, pasmem, os Beatles emplacam o 15º e o 40º lugar com as caixas que contém a sua obra completa em stéreo e em mono, respectivamente. As caixas são consideradas novos lançamentos, daí figurarem na Billboard 200.

– Na Grã-Bretanha, são quatro discos entre os Top Ten.

E estamos falando de uma banda que acabou há quase quarenta anos!!

quarta-feira, 16 setembro , 2009 Posted by | Música | Deixe um comentário

09/09/09

Setembro de 2009, em algum lugar do sertão sergipano…

− Eita sol do fí do ganso!! Tá brabo hoje pra cuidar dessa roça.
− Oxe! Né você que diz que não tem tempo ruim pra trabraiá!?
− Tenho mesmo não! Num tô aqui…ôxe! Vô sentar agora e comer essa bóia pra depois tirar aquele cochilo
que hoje o patrão tá cá gota!
− Chega pra lá que eu vou me sentar também …a patroa hoje caprichou na argamassa. Me mandou uns
miúdo de uma capoeira que nós matamos ontem pro batizado de Jonathan.
− Jonathan é o moleque mais novo né!?
− Ele mesmo. O moleque é azuretado, virado num raio da peste.
− Bom, é assim .. sinal que tá com saúde. E tá bonito mesmo esse miúdo .. passe pra cá!
− Oxe! Se vire aí na sua lata, meu fio.
− Cabra ruim da gota.. capaz desse miúdo dormido fazer você passar o dia no mato se cagando todo. Mas,
destá. Pelo menos eu tenho aqui meu rádio de pia…
− Essa bixiguenta veia .. e isso toca ainda?
− Você vai ver se num toca….

SHIIIIIIIIIIIIII … SHHIIIIIIIIIIIIIIII … SHHHIIIIIIIIIIIIIIIII …. SHHHIIIIIIIIIIIIIIIII

− Dá umas pancada nas oreia que pega …..

SHIIIIIIIIIIIIII .. SHHIIIIIIIIIIIIIIII .. SHHHIIIIIIIIIIIIIIIII

− Ói aí … Ta vendo!! Pegou a rádio aqui da região … é Zé de Ninha o locutor.
− E que música é essa que ta tocando?
− Rapaz .. o nome da música eu não sei não … é do estrangeiro… agora o nome do cantor eu sei…
− E qual é?
− É um tal de Bite… Bitile … Bitou… um negócio desses aí..
− Bitou? É arrocha?
− É não … é artista estrangero. Foi o Zé de Ninha que me falou, mas eu não entendi o nome direito não.
− E de onde o Zé tirou esse diacho de música?
− Sei não .. ele disse que o sucesso agora é esse. Ta tocando até nas festa da igreja.
− Ói hôme .. brinque não com essas coisa. Deus tá vendo.
− Oxe! Mas, se foi o padre mesmo que botou. Ele disse que comprou os discos e tudo. Comprou mais de dez
disco de uma vez…vieram tudo numa caixinha bonita. Eu vi lá na sacristia.
− Disco de quem?
− Dos Bitile, abestaiado! Ôxe .. ta ficando broco é?!
− Ah… certo! Então.. o padre que botou pra tocar foi?
− Ele mesmo .. disse que viu no jornal que tinha lançado os discos da banda tudo de uma vez…
− É… então, vamo ouvir né…o Padre botou pra tocar, ta otorizado. Aumenta aí!

SHE LOVES YOU, YEAH, YEAH, YEAH …. SHE LOVES YOU, YEAH, YEAH, YEAH

− Não é arrocha, mas até que a música é boa.
− Vou pedir pro padre gravar no meu celular que quero mandar pro celular de Rosinha.
− Mas óia como tá esse nego, avexado todo!
− Meu coração é de Rosinha, você sabe disso. Ela que não quer saber de mim. Foi simbora.
− Ela te ama. Você pensa que perdeu o seu amor, mas eu vi ela ontem. E é em você que ela tava pensando.
E ela me contou uma coisa pra dizer pra você.
− Foi nada!?? Brinque não com essas coisas! Desembucha logo!!
− Ela disse que você judiou tanto dela que ela perdeu a cabeça. Mas que agora ela sabe que você não vai
mais fazer isso. Ela disse que te ama! E você sabe que deveria era tá feliz.
− Ôxe, mas não me diga isso não!!! Saindo daqui vou lá falar com ela. Vou pedir ela em casamento. Só não
sei como vou dizer isso … sou tão ruim no palavriado. Queria mesmo era entender o que o Bite ta dizendo
na música pra depois repetir as mesmas palavras pra ela.
– Se avexe não. Faça que nem eu. Feche os zóio, escute a música e fale o que vier na sua cabeça. As
veiz, dá certo. E vamo simbora pra roça antes que o miserento do padrão apareça por aqui de novo.

———————————————————
E não é que depois de 9 de setembro de 2009 eles estão, mais uma vez, mais conhecidos que Jesus! Chegando com toda força ao século XXI. E que venha a nova Beatlemania! O mundo da música tá precisando.

Em 9/9/9, Beatles entram para o século XXI

ps: encontre a música escondida no texto e ganhe um super-brinde do DeNádegas!! :))

segunda-feira, 14 setembro , 2009 Posted by | Música | Deixe um comentário

O pop e o alternativo… POP!!!

Há uns três anos atrás a Sibberia, banda de pop-rock da qual faço parte, lançou no antigo Tequila o seu novo site e um novo show acústico. Fizemos uma grande campanha de marketing, com direito a outdoors, inserções em TV e Rádio e também várias entrevistas para a mídia impressa e televisiva. Deu tudo certo, a noite foi fantástica, casa cheia e todos felizes e bêbados ao final.

Nada de extraordinário nessa história, exceto por um fato interessante que aconteceu alguns dias antes do evento. Eu costumava passar no antigo Jazz Café pra dar uma olhada nos CDs e EPs de bandas sergipanas que estavam sempre por lá, expostos à venda. Nesse dia comprei um EP de uma promissora banda sergipana que se colocava como uma banda moderna com características clássicas, a julgar pelo uso de ternos e outros adereços durantes suas apresentações. Comprei o EP, achei o som muito bom, embora necessitasse de uma boa lapidação, mas, era um excelente começo pra uma banda iniciante. E gostei das músicas também. Então, achei que seria legal ligar pro pessoal da banda e fazer uma proposta para dividir o palco com a Sibberia e assim dar uma força na divulgação do trabalho deles.

Entrei em contato com o produtor da banda e propus que eles montassem um stand no Tequila pra expor e vender o EP, camisetas, adesivos e afins, além de uma participação durante o show da Sibberia, onde poderiam tocar algumas músicas e divulgar o lançamento do EP. Falei que a festa teria uma grande divulgação e que seria uma ótima oportunidade pra eles exporem o trabalho. O produtor disse que ia conversar com o pessoal da banda e daria um retorno. O retorno não veio até hoje. Achei que fosse apenas a já conhecida e tradicional falta de profissionalismo das bandas sergipanas, mas na verdade a história era outra. Através de uma amiga em comum, fiquei sabendo que a banda não iria tocar com a Sibberia, porque a não iria “se misturar” a uma banda pop num show em um lugar reconhecidamente pop-rock como o Tequila. Eles eram underground, alternativos, superiores e acima da necessidade de conquistar público. Pelo menos, se achavam assim, pois a música que eu ouvi deles era necessariamente POP.

Além da falta de educação e postura profissional, achei uma estúpida burrice. Mas, depois analisando melhor, percebi que tudo era fruto de uma cultura, até certo ponto preconceituosa, por parte das bandas e do público que se acham “cult”. Digo “se acham”, porque na verdade todo mundo que se diz alternativo quer vender discos, vender shows e vender imagem. É uma hipocrisia ridícula, mas a maioria das bandas alternativas que conheço querem ser pop, mas não querem deixar de lado o discurso preconceituoso, de superioridade cultural. Não é a toa que a banda a qual me refiro fez as malas e se mudou para São Paulo em busca do “sucesso” que até hoje não veio. Talvez, quem sabe, por estarem nessa crise de identidade, pop x alternativo. Afinal, o que essas bandas pensam que são?

O artista precisa ser pop pra sobreviver. Ser pop não significa necessariamente fazer música sem conteúdo ou ainda música apenas com apelo comercial. Ser pop significa conquistar público e sobreviver. Ser conhecido, ser popular. Qual a banda, qual negócio que sobrevive sem público, sem clientes. O músico também precisa comer, pagar aluguel e as contas no final do mês. E pra conquistar público, é necessário se enquadrar a certos conceitos e formatos exigidos pelo mercado. Não tem jeito.

Essa postura me faz lembrar um outro fato igualmente interessante. Como me referi anteriormente, freqüentava o Jazz Café. Um local que atraia um grande número de artistas e intelectuais. Um lugar alternativo, por assim dizer. Era freqüente encontrar por lá um monte de gente que queria demonstrar que também era intelectual e desatava a falar sobre um monte de escritores, artistas e obras que acabaram de ler especialmente para ter o que falar . Eu e um amigo, resolvemos brincar com algumas dessas pessoas e inventamos um escritor polonês “mundialmente famoso”, chamado Baruska. Passamos então a discutir sobre as diversas obras “imaginárias” de Baruska e sua imensa contribuição à contracultura dos anos 60. E não é que apareceram algumas figuras que “já tinham lido alguma coisa” ou “já tinha ouvido falar” ou ainda “conhecia um amigo que tinha alguns livros do escritor”!!!! Teve um que comparou Baruska a Kerouac! Incrível até onde pode ir o ser humano apenas para se sentir “in”.

Talvez essa rejeição ao pop seja uma necessidade natural durante o processo de formação dos artistas alternativos. Inclusive, muito bem vinda, pois garante um certo contra-peso durante negociações de contrato e produção de discos. Mas, o que não me parece ser racional é a aversão a parcerias e projetos que unifiquem bandas e artistas locais. Sejam eles ditos alternativos ou não. Numa cidade onde as dificuldades são gritantes, apenas com muita força de vontade e união das mais diversas tribos, poderemos conseguir alguma coisa. Infelizmente, o que vemos na prática é o inverso. A história que vivi há três anos atrás, continua se repetindo hoje. Cada um na sua, correndo atrás do seu e fingindo ser o que parece ser mais conveniente.

Engraçado que a base cultural desse movimento “quero ser cult” vem, principalmente, da década de sessenta. Exatamente uma década marcada pelo experimentalismo, pela mistura, pela massificação e pelo surgimento dos princípios que regem a cultura pop até hoje. Estamos falando de músicas que tocam nas rádio em troca de dinheiro, de apresentações em programas de TV, de grandes festivais, de venda de discos, de promoção e marketing. O que essa turma do preconceito não entende é que eles conheceram Beatles, Rolling Stones, Hendrix, Doors, Joplin e tantos outros, graças a uma grande e inteligente base comercial que persiste até hoje. Do contrário, como uma banda indie escocesa como o Franz Ferdinand faria três ou quatro shows no Brasil, em 2005, com casa lotada? Resposta: conseguiram excursionar com o U2 por toda a América do Sul. A banda é boa? É fantástica!!! Eles tocam rock nu e cru. Letras legais, arranjos interessantes, guitarras distorcidas e tudo mais que qualquer banda de rock alternativa precisa ter. São culturalmente riquíssimos!!! Porém, suas roupas são pra lá de fashion, suas músicas são dançantes, eles participam de programas de TV e seus empresários são muito bons em contratos. O resultado são milhões de discos vendidos, turnês internacionais, contrato com gravadoras e o bolso cheio de dinheiro. E me pergunto, o que há de mal nisso!?

Pasmem leitores de Baruska!!! O Franz Ferdinand é POP!!!!

quinta-feira, 27 agosto , 2009 Posted by | Música | 1 Comentário

Parem o mundo que eu quero descer!!!!

Quando Raulzito Seixas, o maior rockeiro que esse país já pariu, cantou as palavras que dão o título ao nosso post de hoje, eu ainda usava fraldas. Mas hoje, após tomar conhecimento da atual lista dos albuns mais vendidos no Brasil, eu entendi o que ele estava querendo dizer.

1º lugar: Trilha da novela paraíso, puxada pela música Deus e eu no sertão de Victor e Léo
2º lugar: Beyonce – I am…Sasha Fierce
3º lugar: Victor e Léo – Borboletas
4º lugar: Padre Fábio de Melo – Eu e o tempo
5º lugar: Leonardo – Esse alguém sou eu
6º lugar: Michael Jackson – Coletânia
7º lugar: Trilha da novela Paraíso
8º lugar: Trilha da novela Caminho das Índias
9º lugar: Jonas Brother – Lines, Vines and Trying Times
10º lugar: Miley Cyrus – Breakout

Raul, como sempre, um visionário. Esse mundo anda mesmo muito estranho….

terça-feira, 18 agosto , 2009 Posted by | Música | 3 Comentários

Música Sem Sotaque

Outro dia, ouvindo a um desses programas de rádio especializados em música sergipana, escutei um renomado artista local proferir a seguinte frase: “O Sergipano não sabe valorizar seus artistas e essa é a principal razão da grande dificuldade de conquistar público e viabilizar investimentos.”

Essa frase é cantada desde que eu me entendo por gente. É comum no meio artístico ouvir que o sergipano não consome música sergipana, que vai para bares, boates e outros eventos apenas para “curtir a night” e não para apreciar o artista que está lá se apresentando. Claro que isso é uma forma de generalizar o comportamento do público, pois tenho certeza que boa parte dele vai aos shows por gostar da banda e também porque, em sua maioria, as bandas não tocam apenas músicas próprias, apresentando também vários covers de artistas famosos. Agora, quando o assunto é a música sergipana em si, ou seja, a música composta por artistas sergipanos, a coisa realmente muda de figura. Existe mesmo uma certa rejeição. Porém, o que atualmente me pergunto é se, ao contrário do que se pensa, existe ou não boa vontade por parte do público.

O meu questionamento é se o sergipano não valoriza os artistas locais apenas por uma questão cultural ou porque não gosta da música, embora tenha a disposição de ouvi-la. Será que a nossa música é realmente boa? Será que a culpa está apenas no público? Ou essa é uma forma fácil de esconder nossas limitações?

Acho que pra responder a essa pergunta precisamos fazer algumas observações. Primeiro, precisamos separar talento de produção musical. Ou seja, não estou questionando o talento do artista sergipano, ao contrário, acredito que temos um grupo de artistas com enorme potencial. Porém, questiono a nossa capacidade de transformar esse potencial em produtos artisticamente e comercialmente viáveis. Em seguida, precisamos separar a música alternativa e a música pop. A primeira tem, a princípio, o foco na arte por si só, sem preocupar-se com as questões comerciais envolvidas; a segunda trata de produzir hits, ou seja, músicas que possam atrair grande quantidade de público e que permitam ao artista conquistar dinheiro e sucesso.

No fundo, considero que todo artista alternativo quer ser pop, e todo artista pop diz que não perdeu as referências alternativas. Mas, essa guerrinha alternativo x pop merece um post único. É uma outra discussão. Nessa discussão de hoje, quero tratar sobre os artistas que querem produzir hits.

Feitos os esclarecimentos, estamos tratando de negócios. Ou seja, na capacidade de transformar talentos em hits. De transformar arte em dinheiro e sucesso. Em ser pop. E acho que é nesse aspecto que estamos devendo e muito ao público sergipano. Eu escuto muito as músicas dos nossos artistas. Compro CDs, EPs, escuto rádio, internet, enfim, tento estar antenado no que está acontecendo. E após todos esses anos, me diga aí uma música de um artista sergipano que tenha “estourado” nacionalmente. Me diga um artista sergipano que faça sucesso por esse Brasil afora, lotando ginásios e casas de show. Não me venha falar de Calcinha Preta, porque estamos falando de música e não daquele negócio lá que eles fazem. Enfim, não consigo lembrar agora de nenhum. Será que a culpa é do nosso público? Será que o público baiano valoriza o artista baiano, ou valoriza o sucesso? Será que o pernambucano ovaciona o Maracatu de Chico Science ou aprendeu a valorizá-lo depois que ele se tornou mundialmente conhecido? Até que ponto VALOR está associado a NOTORIEDADE. Será que é o público que faz o sucesso ou o sucesso que faz o público?

Façamos uma analogia simplória. O Confiança, time de futebol sergipano, quase conseguiu classificar-se para a segunda divisão na temporada de 2008. O que se viu foi um aumento no tamanho de sua torcida. O time estava em evidência, estava na mídia, estava dando certo e foi natural que crianças e adultos embarcassem na onda. Na atual temporada o Confiança foi rebaixado para a quarta divisão. Silêncio total.

O fato é que as grandes gravadoras em associação com a mídia constroem e destroem sucessos. E Sergipe ainda não entrou nessa roda. O baiano valoriza a bahia, porque sente orgulho de um grupo de artistas que mudou a música brasileira desde os tempos de Doryval, passando por Caetano, Gil, Gal, até chegar no axé. O povo tem no que se espelhar. Tem o que defender. Mas Caetano, por exemplo, fez sucesso inicialmente cantando MPB e não música baiana. Ele fez música para o Brasil e não para a Bahia. É só ouvir seus primeiros discos.

E o que falta pra nós? O que normalmente escuto no rádio são músicas com letras ruins, arranjos insossos, produção pífia, gravações de péssima qualidade, ritmos indefinidos e péssimos cantores. Canso de ouvir cantores desafinados! Chega a ser um desrespeito com os ouvintes. Além disso, está a questão da composição em si. Não adianta o artista compor uma música direcionada pra ele ou pra uma cultura regionalizada e depois ficar reclamando que a música não faz sucesso porque o público não compra música sergipana. Se o objetivo é ter sucesso, então a música não pode estar presa a regionalismos. Ela tem que conquistar o Brasil. Nem a Bossa Nova, que considero nosso movimento mais original, é puro sangue. Tem toda a sua estrutura baseada no jazz americano. Então, qual a probabilidade do nosso samba de côco ou samba de pareia ou sei mais o quê ganhar o Brasil? Difícil. Pode até fazer sucesso na Europa, no seguimento World Music, porque o europeu considera esses e outros ritmos exóticos e culturalmente ricos. E são mesmo! Mas, não serve pra música pop.

Realmente a população de Aracaju em geral tem certa aversão a música sergipana. Parte disso é cultural, porque sofremos de uma crise de auto-estima. Não sabemos valorizar nossas qualidades. Não temos o ímpeto de descobrir coisas novas, nem de, ao menos, parar para ouvir uma música de uma banda local. Mas, é preciso dividir essa culpa com a imensa quantidade de música ruim que esse público ouviu ao longo de todos esses anos. É difícil mudar a cultura de uma população, mas essa mudança tem que partir primeiro dos artistas. Somos nós que precisamos evoluir primeiro para que a população evolua em seguida.

Talvez falte para o nosso artista se profissionalizar. Saber atingir de forma adequada o público que se quer conquistar. É bonito ser um artista integrado à cultura regional e defensor ferrenho do folclore de Laranjeiras? É sim! Claro que é. E é importante também. Mas, só não pode ir pros meios de comunicação reclamar que o povo sergipano não consome sua música, porque você não a compôs pra ele. Compôs pra Laranjeiras. Então toque por lá!

quarta-feira, 12 agosto , 2009 Posted by | Música | 2 Comentários

Woodstock 1969

Visão Geral do Festival

Visão Geral do Festival

Nós próximos dias 15,16 e 17 comemora-se os 40 anos de uma das passagens mais importantes da história do rock e também do show business, o festival de Woodstock! Foram os três dias mais loucos da história, pelo menos para as mais de 400 mil pessoas que, em busca de paz, amor e música, invadiram uma fazenda ao norte do estado de New York, ao lado da pacata cidade de Bethel, que à época tinha pouco mais de dois mil habitantes.

O festival reuniu a nata dos artistas famosos da época, incluindo The Who, Janis Joplin, Jimmy Hendrix, Santana, Creedence Clearwater Revival, Jefferson Airplane, Crosby Stills Nash and Young e Joe Cocker. Diversas outras bandas foram convidadas, mas acabaram não aceitando ou cancelando a apresentação na última hora. Entre elas, The Doors, Led Zeppelin, Frank Zappa e nada menos que os Beatles. No caso dos Beatles, o motivo do cancelamento foi ao menos, curioso. Após o contato dos organizadores do festival, John Lennon falou que haveria sim a possibilidade dos Beatles tocarem, desde que a banda de Yoko, Platic Ono Band, também pudesse tocar. Como a contrapartida não foi aceita, os Beatles não participaram do festival. Mais uma pra gente agradecer a Yoko!

Do ponto de vista de estrutura e operação, o nome adequado para o festival seria “Calamidade Pública”. A organização esperava cem mil pessoas e não as mais de 400 mil que apareceram para dividir apenas 600 banheiros químicos imundos, 60 telefones públicos, um único posto de atendimento médico e algumas poucas tendas para comprar comida. Não havia estacionamento e muitos andaram até 20 Km do ponto onde deixaram seus carros para chegar ao festival. No meio do caminho, a organização solicitou ajuda da Guarda Nacional, que enviou alimentos, remédios e soldados para minimizar o estrago. Os artistas tiveram que ser transportados de helicóptero, pois simplesmente não havia com chegar ao palco de outra forma. Por falar em artistas, muitos se apresentaram doidões, pois a demora pras apresentações chegava a duas horas entre uma banda e outra. Resultado, os caras não tinham o que fazer e aí se atolavam nos brinquedinhos químicos de uma época onde as drogas ainda eram vistas como uma possibilidade de ampliar a visão para o mundo e curtir algumas viagens legais.

Marca registrada

Marca registrada

Os caras pagaram o preço por ser esse o primeiro grande festival de música da história. Até então, os músicos estavam diante de platéias de no máximo dez mil pessoas, exceto, claro, os Beatles que lotavam estádios, mas que em 1969 já não se apresentavam ao vivo desde seu último show em San Francisco nos idos de 1966. Mas, toda a atmosfera da contracultura do final dos anos 60, o movimento Hippie e sua cultura da paz e amor, a resistência à guerra do Vietnã, a ainda ressaca do verão do amor vivida na San Francisco de 66, fizeram com que centenas de milhares de jovens de todo o mundo deixassem seduzir-se pela proposta inovadora do festival: mergulhar no meio do nada, durante três dias de muito sexo, drogas e rock’n roll, numa celebração histórica de toda revolução social vivida na segunda metade dos anos 60.

Pra se ter uma idéia, foram consumidas quase 25 toneladas de maconha, fora a quantidade absurda de LSD, heroína, mescalina, haxixe e por aí vai. Foram 400 atendimentos médicos no festival e apenas uma morte por overdose de heroína. Curiosamente, havia uma tenda para bad trips. Ou seja, caso você estivesse numa viajem ruim, causada por seja lá o que for, era encaminhado pra essa tenda pra esperar a “chuva” passar.

Woodstock 69

Woodstock 69

Obviamente, todas essas questões de infra-estrutura serviram de base para a concepção dos milhares de festivais que, a partir do Woodstock, começaram a acontecer ao redor do mundo, unindo tribos, divulgando bandas e mantendo viva a cultura do rock.

Mas o festival também trouxe um revolução cultural para todo o mundo, pois tudo transcorreu num clima de paz, com direito a apresentações memoráveis de Hendrix, Joplin, Santana, Joe Coker, imortalizadas em um documentário que foi lançado no ano seguinte e fez com que o resto do mundo tomasse conhecimento do festival da paz , do amor e da escolha por uma vida mais saudável e natural, distante das cidades e do industrialismo crescente. A proliferação do estilo de vida alternativo, do respeito à natureza e da busca pela harmonia entre o homem e o planeta em que vivemos, tem origem no Woodstock.

Muita coisa presente hoje na cultura do rock também tem sua origem por lá e os festivais que hoje acontecem em todo mundo, tentam de alguma forma extrair a essência do Woodstock e por isso que muitos são realizados em locais afastados da cidade, campos, desertos, fazendas ou qualquer lugar onde se possa armar uma barraca e tomar banho de lama. Aqui no Brasil, o festival que mais se aproximou desse espírito foi o Rock in Rio, na sua primeira edição, em 1985, que teve uma ótima repercussão e fez com que o Brasil aparecesse como uma viável opção para as turnês internacionais de grandes artistas.

O documentário sobre o Woodstock é uma ótima amostra do que aconteceu por lá, e compõe uma obrigatória videografia sobre o universo e a cultura da música dos anos 60 e de sua influência até os dias hoje. Toda vez que você, em um festival de música, encontrar alguém sujo de lama, tomando banho pelado num rio, expondo suas expressões artísticas ou pregando o amor livre, saiba que o marco zero desse tipo de manifestação cultural foi agosto de 1969.

Abaixo, o set list do festival:

Sexta-Feira, 15 de agosto

• Richie Havens (destaque para a versão de Strawberry Fields Forever)
• Country Joe McDonald
• John Sebastian
• Sweetwater
• The Incredible String Band
• Bert Sommer
• Tim Hardin (tocou apenas duas músicas em uma hora de apresentação)
• Ravi Shankar (velho amigo de George Harrison)
• Melanie
• Arlo Guthrie
• Joan Baez

Sábado, 16 de agosto

• Quill
• Keef Hartley Band
• Santana
• Canned Heat
• Mountain
• Janis Joplin
• Grateful Dead (Com direito a falhas técnicas como buracos no palco e guitarras que davam choques)
• Creedence Clearwater Revival
• Sly & the family stone
• The Who
• Jefferson Airplane (começou o show às seis da manhã)

Domingo, 17 de agosto

• Joe Cocker
• Country Joe and the Fish
• Ten Years After
• The Band
• Blood, Sweat & Tears
• Johnny Winter
• Crosby, Stills, Nash & Young
• Paul Butterfield Blues Band
• Sha-Na-Na
• Jimi Hendrix (a essa altura, os atrasos já tinham contabilizado nove horas. Quando Hendrix entrou na manhã de segunda-feira, apenas 35 mil resistentes felizardos viram ao show)

sexta-feira, 7 agosto , 2009 Posted by | Música | 3 Comentários

Eu estava pensando…

…que por mais original, técnico, eficiente e criativo que qualquer músico no mundo possa ser, ele jamais será um Beatle.

…que por mais legal, inovador e “louco” que qualquer festival de rock possa ser em qualquer parte do mundo, ele jamais será um Woodstock.

…que por mais interessante que seja ouvir algum poeta cantar e tocar violão, e até mesmo arranhar uma gaita sofrível, ele jamais será Bob Dylan.

…que por mais popular e revolucionária que seja uma obra literária, ela nunca terá o mesmo potencial avassalador de On The Road, do Jack Kerouak.

…que por mais popular que seja um artista em campanha pela paz, ele jamais será Jonh Lennon.

…que por mais eficiente e rock and roll que seja qualquer excelente banda de rock pelo mundo, ela jamais será o Led Zeppelin.

…que por mais que se tente juntar um ou outro músico pra fazer qualquer turnê mundial do The Doors, jamais teremos o Jim Morrison, portanto, jamais teremos The Doors.

…que por mais que se dê todo o crédito do mundo, o U2 jamais será The Joshua Tree de novo.

…que por mais que qualquer grande guitarrista do mundo utilize todas as pentatônicas para demonstrar a sua incrível criatividade como músico de blues, ele jamais será o Eric Clapton.

…que por mais que você tente tocar fogo em sua guitarra Fender, ou faça um solo tocando com os dentes, você jamais será o Jimmy Hendrix.

…que por mais que uma banda de rock gaste milhares de dólares em instrumentos novos, após quebrar todos os seus próprios no palco, durante o último show, ela jamais será o The Who.

E você? Andou pensando em quê? :)

domingo, 21 junho , 2009 Posted by | Música | 3 Comentários

Free as a Bird

Free as a Bird by John

Free as a Bird by John

Uma das coisas que sempre me impressionou em Lennon, McCartney, Harrison e Ringo foi o extremo cuidado que sempre tiveram com o legado dos Beatles, mesmo após o fim da banda em 1970. Eles recusaram e ainda recusam (Lennon e Harrison através de Yoko e Olivia) dezenas de pedidos de versões, peças de teatro, livros e produtos dos mais diversos tipos. Agora, quando eles decidem fazer algum projeto ou liberar os direitos de outros, pode ter certeza que vem coisa boa. Foi assim com os filmes “I am Sam” e “Across the Universe”, com o espetáculo LOVE do Cirque de Soleil, com o relançamento dos filmes oficiais do quarteto, a liberação das músicas na internet e mais recentemente com o lançamento do jogo Guitar Hero versão Beatles, com direito a instrumentos personalizados e tudo. Ah! E estamos aguardando para 09/09/09 o re-lançamento de todos os álbuns oficiais dos Beatles com encartes e músicas originalmente lançados na Inglaterra, totalmente remasterizados e com a qualidade que a música deles sempre mereceu.

Mas, na minha opinião, o grande relançamento nesses últimos dez anos foi o Anthology. Lançado em dezembro de 1995, trata-se de uma compilação de toda a carreira dos Beatles contada por eles mesmos e pelos mais próximos. O trabalho foi lançado num livro maravilhoso, e também em VHS, CD e DVD. Uma obra prima! Pra mim, funciona como uma Bíblia, quando você abre uma página qualquer e lê o que apareceu ali casualmente, não importando a parte ou página que caiu, porque talvez aquela imagem, texto ou foto salve o seu dia. Vez em quando eu e Kaká estamos discutindo pra onde ir num dia qualquer de um final de semana qualquer. E não raro, a gente escolhe ficar em casa, tomar um vodka e assistir a qualquer um dos cinco DVDs do Anthology. Programa fantástico melhor do que muita balada por aí.

Beatles Anthology

Beatles Anthology

Mas essa ladainha toda é pra falar de uma única música lançada junto com o Anthology em 1995 e que eu considero pra lá de especial, não apenas por ser a obra de arte que é, mas por ter sido gravada pelos QUATRO Beatles. Foi o último registro da maior banda de rock de todos os tempos: Free as a Bird.

Talvez você esteja confuso em relação a datas. Se o Anthology foi lançado em 1995 e Lennon morreu em 1980, como que a música foi gravada pelos quatro? Calma! Não foi mais um caso de manifestação espiritual ou qualquer coisa que o valha. Quando McCartney, Harrison e Ringão se juntaram pra conversar sobre o projeto Anthology, eles tiveram o desejo de lançar uma música inédita que recuperasse o velho espírito beatle que os quatro compartilharam durante tanto tempo nos estúdios da Abbey Road. Só que eles chegaram à natural e feliz conclusão que, sem John, os Beatles estavam incompletos e não havia como criar nada novo que soasse como Beatles. O John teria que estar presente de alguma forma. Foi aí que tiveram a idéia de perguntar a Yoko se ela teria algum material, uma fita demo, gravada pelo John e que nunca tivesse sido lançada. E ela enviou algumas músicas, entre elas, Free as a Bird e Real Love. Real Love também está gravada no Anthology, mas eu a vejo mais como uma música do John. Free as a Bird é definitivamente uma música dos Beatles. Eles aproveitaram a voz e o piano gravados por Lennon e completaram a música com a bateria de Ringo, a slide guitar de Harrison, o baixo de Paul e os vocais dos três, soando exatamente como há 40 anos atrás.

Todos os elementos que sempre ouvimos nos álbuns dos Beatles estão lá. O trabalho vocal, a bateria direta e criativa de Ringo, a guitarra de Harrison e seu slide, o baixo harmônico do Paul e até os violões e piano tão característicos em tantas músicas. A musica é simplesmente mágica. Lennon, Harrison e Paul se revezam no vocal principal, talvez a única novidade em relação aos álbuns anteriores, já que nunca tinham feito isso antes. A música foi composta por Lennon em 1977 em sua casa, no prédio Dakota, em New York. Ela não entrou em seu último álbum, postumamente lançado em dezembro de 1980. A música foi então gravada durante os anos de 94 e 95 nos estúdios da casa de Paul McCartney e, curiosamente, George Martin não foi o produtor musical, pois à época ele estava sentindo que o seu ouvido não estava mais tão afiado como antes e recusou o convite. Quem produziu a faixa junto com os Beatles foi Jeff Lynne.

Além da música linda que é, Free as a Bird tem um vídeo Clip simplesmente maravilhoso. Aliás, conheci a música através do clip e foi um tapa na cara. O vídeo possui uma técnica de direção de fotografia inovadora, pois a câmera segue todo o tempo na primeira pessoa, tomando lugar da ave (Bird) que voa livre por Liverpool e Londres, mostrando toda a trajetória da banda e os lugares por onde os Fab Four passaram ao longo da infância e durante a existência dos Beatles. Referências a Penny Lane, Paperback Writer, A Day in The Life, Eleanor Rigby e Helter Skelter são facilmente vistas, mas existem ao todo quase 100 referências à música dos Beatles ao longo do vídeo, que foi produzido por Vincent Joliet e dirigido por Joe Pytka. Como não poderia ser diferente, o vídeo ganhou o Grammy Award for Best Short Form Music Video em 1997.

Existem músicas que são pra sempre. Que você ouve dezenas de vezes seguidas e sempre sente uma sensação de bem estar, de conforto e de encontro com o nirvana. Cada vez que escuto Free as a Bird ela sempre me leva nessa direção. Sinto sempre a mesma sensação do “tapa na cara” que senti na primeira vez que ouvi e de uma mistura sadia entre a nostalgia dos anos 60 e a contemporaneidade da música dos Beatles. Free as a Bird é pra sempre. Beatles é pra sempre.

Alguns links:

Esse tem algumas referências Beatles encontradas no filme

http://www.phaseshift.com/beatles/faab/

Letra da música

http://letras.terra.com.br/the-beatles/262/

quarta-feira, 10 junho , 2009 Posted by | Música | 3 Comentários

Tequila!

No sábado que vem, dia 23 de maio, acontecerá na LIVE uma festa cujo objetivo é relembrar o velho bar Tequila, que funcionou durante mais de dez anos onde hoje é a própria LIVE. A Sibberia, banda nascida e criada no Tequila, vai fazer as vezes da noite junto com a banda A Fábrica e o DJ Luiz Prado. Durante a noite ainda teremos participações de integrantes de bandas que fizeram história por lá, como a Mosaico, a Mr. Magoo e a Fox Lady.

Saindo um pouco da festa de sábado, eu passei a semana pensando naquele “Tequila de antes”. Pensando que ele realmente dá muita, mas muita saudade mesmo! Pra quem não conheceu, o Tequila, inaugurado em 1996, era originalmente um PUB ao estilo Mexicano, com um pequeno palco e capacidade para 400 pessoas. Um lugar pequeno e aconchegante que estava sempre cheio de gente bonita e ligada em um som pop de alta qualidade, diferente do que vemos hoje na maioria dos bares.

Mas, vamos tentar contextualizar o surgimento do Tequila. Naquela época a música sergipana se dividia em MPB, música Regional, principalmente o forró e algumas poucas bandas de rock, em sua maioria ao estilo Metal, que tocavam uma vez ou outra em eventos esporádicos. Como normalmente o público desses eventos eram metaleiros, as bandas pop eram praticamente escorraçadas ou chicoteadas em praça pública. Não havia espaço pra um desenvolvimento autoral, fato que acabou minando bandas de notório talento como a Desvio Padrão e Hemisférios. O Tequila trouxe a proposta de criar um lugar onde só houvesse espaço para o rock, o pop e para música de qualidade. E deu muito certo! O bar abria de quinta a sábado, sempre lotado. Naquele começo as bandas que faziam ponto semanal por lá eram Mr. Magoo (Lelo Almeida, André (eu), Belarmino e Iguassu), Mosaico (Bolinha, Sidney, Ximenes, Diogo e Charles) e a dupla Alex Santana e Perla. Depois Lelo seguiu carreira solo e continuou fazendo um grande sucesso por lá.

A partir daí, surgiram diversas bandas pop. Muitas mesmo. E não tenho a menor dúvida em dizer que essa foi a grande contribuição do Tequila, pois de certa forma despertou os talentos que até então estavam aquietados, já que não havia onde se apresentar e nem muito menos público disposto a ouvir. Com o tempo, novas bandas foram surgindo e o público sergipano passou a gostar também de rock/pop, fato que dura até hoje. O Tequila foi um grande celeiro de bandas, músicos e também um grande formador de opnião, no sentindo de mudar a cultura do público.

Eu simplesmente vivia lá. Ia de quinta a domingo. Mas, de longe, minha banda preferida era Mosaico. Não faltava um show sequer. Não apenas pelo fato de ser amigo de todos os integrantes da banda, mas porque a Mosaico foi a primeira banda que dentro desse cenário trouxe um trabalho autoral digno de respeito. Talvez pela influência que Bolinha e Diogo trouxeram da Desvio Padrão e do excelente e autêntico vocal de Charles, isso acabou sendo um caminho natural para a banda. Infelizmente a banda se desmantelou logo após a gravação do primeiro CD que nunca chegou a ser lançado, embora circule por aí em MP3. Aliás, um excelente álbum! Uma pena que não tenha sido realmente lançado.

A Mr Magoo foi a banda que junto com a Mosaico e a Java movimentavam realmente o Tequila. No caso da Mr Magoo, o trabalho era puramente cover, fazendo uma linha pop/rock internacional tipo U2, Smiths, The Cure, Beatles, e por aí vai. A Mosaico mesclava covers com suas músicas (quem não lembra da primeira música deles, “Madrugada”). E a JAVA era uma linha diferente já totalmente pop.

Pra mim foi um tempo muito especial que deixou muitas saudades mesmo. Aliás, foi o único momento em que eu levei a carreira de músico mais para o lado profissional da coisa. Na verdade eu ganhava mais dinheiro tocando do que coordenando a área de informática do SENAC, meu emprego na época. Então foi sem dúvida uma fase muito legal, de muita curtição mesmo. E de muito aprendizado também, afinal de contas ninguém entendia nada dessa coisa de show business, pois estávamos liderando as recentes mudanças que aconteciam em nossa cultura musical. E por conta disso, apanhamos muito mesmo. Desde levar o famoso “cano” de empresários e patrocinadores, até na escolha errada de shows e apresentações, como numa vez que, já tocando na carreira solo com Lelo, topamos fazer uma festa no meio da semana com a presença do global Gerson Brenner. Foi um fiasco total. Fizemos um show pra dez ou doze pessoas, contando com o bonitão lá. E claro né, voltamos pra casa sem um real no bolso.

Tem muita história relacionada ao Tequila. A partir de agora eu vou tentar, vez em quando, colocar alguma coisa aqui no blog. Até pra ficar registrado, porque a memória da gente vai falhando com o tempo.

Acredito que o Tequila começou a acabar após a tal da reforma que levou a lotação da casa de 400 para 1.300 pessoas. Ficou grande demais para o público de Aracaju e pequeno demais para atrações de maior peso nacional. Sem contar que, ao passar da categoria de PUB para casa de show, o clima e o charme do lugar foram por água abaixo. O bar ainda resistiu por vários anos, mas com muitos altos e baixos. Finalmente o bar foi arrendado e a LIVE sepultou de vez o que ainda restava de qualidade na noite sergipana. O que aconteceu com a LIVE foi basicamente o que aconteceu com o ETNIA e o EXCALIBUR. Como esses bares não tiveram foco, ou seja, tocavam de funk e pagode a rock e forró, simplesmente não se formou público. As pessoas não iam para o bar porque gostavam do bar. Iam porque teria lá alguma atração que lhe agradasse. Na época boa do Tequila, não importava quem tava tocando, até certo ponto. O que as pessoas gostavam era de ir ao Tequila. O lugar e as pessoas eram o principal atrativo, pois sabiam que a música seria boa.

Hoje eu vejo que o Suburbia Bar de certa forma está tentando recuperar esse tempo perdido. Existem muitas características semelhantes entre o Tequila e o Suburbia, embora o momento seja outro. Mas, já vejo que bandas como a VOX, por exemplo, que é uma excelente banda, começa a ter uma visibilidade maior graças a suas apresentações no Suburbia.

E vamo lá pra festa no sábado! Se pelo menos o público de antes estiver por lá, será mais uma noite Tequila pra se não se esquecer.

ps: até amanhã eu publico aqui algumas fotos dessa fase inicial do Tequila.

quarta-feira, 20 maio , 2009 Posted by | Música | 7 Comentários

Caros amigos,

O vídeo da banda Sibberia foi selecionado pela equipe da Globo e publicado no site do programa do Faustão no quadro Garagem do Faustão! Agora a gente precisa da sua ajuda pra conseguir o maior número de acessos possível e quem sabe concorrer a uma apresentação ao vivo.

Você só precisa acessar o link abaixo e dar sua nota para a música da banda clicando nas estrelinhas que aparecem logo abaixo do vídeo. Vote em CINCO estrelinhas!!!! :))

http://domingaodofaustao.globo.com/Domingao/Garagemdofaustao/0,,16989-p-V1017050,00.html

Se possível faça um comentário também pra ajudar.

Vamos dar nossa contribuição à música Sergipana!

Grande abraço e obrigado pela força!!

André

terça-feira, 5 maio , 2009 Posted by | Música | 1 Comentário