DeNádegas

Toda quarta um post novo!

Esses são dias desleais…

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Denise, mãe solteira de apenas vinte anos, cuida da filhinha, Mariana, de cinco com todo o carinho e sacrifício. Trabalha no turno da noite como atendente num desses postos de combustível, atravessando noites e noites adentro, aturando um monte de gente chata e mal-educada. Tudo pra ganhar um ridículo salário mínimo. Mas sua consciência é sua grande motivadora, pois sabe que a vida da Mariana depende dela. Que é com esse pouco dinheiro que ela vai tentar dar a ela um futuro melhor que o seu próprio. E aí na madrugada entra um sujeito anunciando um assalto. Leva o que pode de todos que estavam ali naquela loja de conveniência, incluindo todo o dinheiro do caixa. Com o produto do roubo na mão, do nada, sem nenhum motivo aparente, o ladrão resolve dar um único e certeiro tiro na cabeça de Denise, mesmo ela não tendo expressado um milímetro de reação. Não reagir a um assalto é como se ladrão e vítima fossem parte de um inusitado, subconsciente e ridículo acordo premeditado, do tipo: você não reage e eu não te mato. É, mas parece que nesse dia, pelo menos pra Mariana, acordos deixaram de fazer sentido. Agora, em cada novo assalto, a sensação será a de estar em um daqueles duelos do velho oeste, em pleno século XVIII, onde os personagens contam dez passos de costas um para o outro e em seguida viram atirando. O mais rápido vence. O derrotado, morre.

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Antenor é um típico brasileiro. Gosta de futebol, de cerveja e daquela carninha assando numa churrasqueira qualquer. Depois de muito suor e muito sacrifício, formou-se e logo em seguida conseguiu passar num concurso público. Passou a fazer parte daquele seleto grupo que tem emprego garantido pro resto da vida. Mas, como o concurso não foi para o judiciário, ele ganha mal, apesar de tudo. Ganha mal porque ganha o suficiente pra entrar nas garras do leão e o insuficiente pra conseguir manter um padrão de vida adequado para si e para seus três filhos. De cada três meses de trabalho, um ele “doa” para o governo. São quatro meses de trabalho por ano pagos com impostos diretos! Fora os indiretos. Pensou várias vezes em voltar pra informalidade, mas fica o medo da incerteza. Sente-se aprisionado entre a compulsória doação ao governo, mas com uma merrequinha certa no final do mês e a cruel dúvida de não saber se terá dinheiro pra pagar as contas mensais.

Outro dia precisou levar o filho numa urgência pediátrica. Era madrugada em Aracaju e ele percorreu três hospitais com a criança queimando em febre. Em todos disseram que não havia pediatria. Achou um último, esse particular, que tinha passado o dia inteiro fechado por excesso de pacientes, mas por sorte tinha acabado de reabrir. Recebeu um atendimento meiota, afinal o médico estava trabalhando havia doze horas.

A coisa apertou de vez e ele resolveu colocar os filhos em escola pública. Visitou algumas. Numa delas, não conseguia chegar à sala de aula sem ter que passar pelo mato de quase 30cm que crescia na lama que separavam os blocos. Em outra, a diretora avisou que não tinha previsão para iniciar as aulas porque não havia professores. Na escola dita modelo, os computadores do laboratório de informática estavam quebrados. Para a filhinha caçula, não havia merenda escolar, pois o dinheiro não chegou. Ficou no bolso de algum “corruptocrata”. Desistiu.

Queria que o governo desistisse dele também. Esquecesse dele e de cobrar os impostos, já que o custo tão alto não encontra na sociedade a qualidade de vida que justifique os quatro meses de salário que paga em impostos por ano.

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Danielle é uma daquelas mulheres que conseguem unir duas grandes qualidades raras de se ver: possui e defende seus ideais e tem a garra e a coragem de “meter as caras”. Ligada desde cedo a música, começou a promover alguns eventos pra tentar criar uma cena na música independente de Aracaju. Aos poucos a coisa foi dando certo e, vendo que a maioria dos bares de Aracaju não ofereciam um identidade única no aspecto musical, visualizou aí uma oportunidade de negócio e abriu seu próprio bar. Colocou um palco pequeno, criou um ambiente aconchegante e criou um espaço pros artistas sergipanos se apresentarem e mostrarem sua música. Como era de se esperar, o bar foi um sucesso.

Mas um belo dia, ironicamente durante a apresentação de uma banda de rock clássico, Danielle e os músicos da banda se viram num túnel do tempo, de volta aos tempos da ditadura. Um bando de militares do exército, armados de fuzis e metralhadoras, a mando de um empresário concorrente e de um político decadente, resolveram “acabar com o mal pela raiz”. Numa ação ilegal, digna de governos militares, ou de resquícios de governos militares, quiseram prender os equipamentos e instrumentos da banda e mais o equipamento de som do bar. Parece que o sucesso de Danielle incomodou. Durante as discussões que levaram madrugada adentro, o próprio comandante da estúpida ação militar, reconheceu que não tinha o direito de fazer o que estava fazendo, mas que se não cumprisse as ordens, ele mesmo seria preso ao voltar ao quartel.

Pobre Daniella .. tinha achado que esse tipo de coisa tinha virado história nos livros biográficos dos perseguidos pela ditadura. Jamais poderia imaginar que ela mesma vivenciaria tamanha arbitrariedade em pleno século XXI. Mas, pelo menos nesse dia, após muitos e muitos argumentos, os milicas ou malacas (escolha o adjetivo), resolveram levar apenas uma pequena parte do material, liberando o equipamento da banda. No mesmo dia, a justiça, através de um juiz de plantão, assegurou o funcionamento do bar e determinou que tal ação não poderá se repetir. Hã! Logo quem! A “cega” justiça! Danielle foi dormir pensando que já não bastava lutar contra uma justiça desprovida da tal venda nos olhos e agora ainda teria que brigar com militares armados de fuzis e metralhadoras. E completou, dizendo bem baixinho pra si mesmo: esses têm sido dias desleais

Obs: todos as três histórias, infelizmente, são baseadas em fatos reais que aconteceram na semana passada.

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segunda-feira, 11 maio , 2009 Posted by | Geral | 3 Comentários

Sibberia no Suburbia!

Sibberia no Projeto Verão 2008

Sibberia no Projeto Verão 2008

Atenção rapaziada!!! Na sexta tem show da Sibberia no mais novo point da galera que curte pop-rock em Aracaju.  É o Suburbia, que fica próximo ao bar Capitão Cook, na Coroa do Meio, em frente às pedras.   Tive lá no Natal e o lugar é bem legal.  Como toda novidade, precisa de alguns ajustes aqui e ali, mas já caiu no gosto da galera que tem lotado o bar todas as sextas e sábados desde sua inauguração.

Vamo torcer pra dar tudo certo, pro Suburbia se firmar como uma opção da night, porque Aracaju precisa de casas que abram espaço para as bandas locais apresentarem seus trabalhos.  

A gente se vê lá!!!

quinta-feira, 8 janeiro , 2009 Posted by | Geral | Deixe um comentário

Tô na área!

Bom galera, esse é o meu primeiro post! Espero que vocês tenham paciência pra ler e que acabem achando alguma coisa interessante no meio do texto.  E vão desculpando a inexperiência do projeto de blogueiro aqui! :)

 

Na verdade, o que sempre me deixou ligado nessa coisa toda de blog, antes mesmo da possibilidade de você comunicar suas idéias (até porque existe o grande risco dela ser interessante apenas pra você mesmo), é a possibilidade de você entender a si mesmo de uma forma melhor.  Porque, quando você começa a escrever sobre o que você vê, sente, sobre suas interpretações à respeito da vida ou de estímulos que chegam até você, é na verdade uma viagem até sua própria consciência, muitas vezes desconhecida de você mesmo.   Talvez daqui a um tempo eu leia alguma coisa que escrevi por aqui e pense: “Porra! Era assim que eu pensava nessa época!”.  Acho que vou tomar vários sustos desse. :)

 

Então resolvi criar esse espaço aqui não apenas pra me comunicar melhor e discutir os mais variados assuntos com meus amigos, familiares e chegados, mas também pra fazer uma espécie de auto-conhecimento (tirando a vulgaridade com a qual essa palavra tem sido abordada atualmente). Então acredito que essa será a viagem maior.

 

A idéia é ter pelo menos uma atualização semanal, sempre às quartas-feiras, mas, dependendo do tempo, vou colocando alguma coisa aí pelo meio do caminho.

 

Então, ta valendo! A partir de agora, toda quarta, encontro marcado aqui!

 

E vamo nessa!

quarta-feira, 24 dezembro , 2008 Posted by | Geral | Deixe um comentário