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Woodstock 1969

Visão Geral do Festival

Visão Geral do Festival

Nós próximos dias 15,16 e 17 comemora-se os 40 anos de uma das passagens mais importantes da história do rock e também do show business, o festival de Woodstock! Foram os três dias mais loucos da história, pelo menos para as mais de 400 mil pessoas que, em busca de paz, amor e música, invadiram uma fazenda ao norte do estado de New York, ao lado da pacata cidade de Bethel, que à época tinha pouco mais de dois mil habitantes.

O festival reuniu a nata dos artistas famosos da época, incluindo The Who, Janis Joplin, Jimmy Hendrix, Santana, Creedence Clearwater Revival, Jefferson Airplane, Crosby Stills Nash and Young e Joe Cocker. Diversas outras bandas foram convidadas, mas acabaram não aceitando ou cancelando a apresentação na última hora. Entre elas, The Doors, Led Zeppelin, Frank Zappa e nada menos que os Beatles. No caso dos Beatles, o motivo do cancelamento foi ao menos, curioso. Após o contato dos organizadores do festival, John Lennon falou que haveria sim a possibilidade dos Beatles tocarem, desde que a banda de Yoko, Platic Ono Band, também pudesse tocar. Como a contrapartida não foi aceita, os Beatles não participaram do festival. Mais uma pra gente agradecer a Yoko!

Do ponto de vista de estrutura e operação, o nome adequado para o festival seria “Calamidade Pública”. A organização esperava cem mil pessoas e não as mais de 400 mil que apareceram para dividir apenas 600 banheiros químicos imundos, 60 telefones públicos, um único posto de atendimento médico e algumas poucas tendas para comprar comida. Não havia estacionamento e muitos andaram até 20 Km do ponto onde deixaram seus carros para chegar ao festival. No meio do caminho, a organização solicitou ajuda da Guarda Nacional, que enviou alimentos, remédios e soldados para minimizar o estrago. Os artistas tiveram que ser transportados de helicóptero, pois simplesmente não havia com chegar ao palco de outra forma. Por falar em artistas, muitos se apresentaram doidões, pois a demora pras apresentações chegava a duas horas entre uma banda e outra. Resultado, os caras não tinham o que fazer e aí se atolavam nos brinquedinhos químicos de uma época onde as drogas ainda eram vistas como uma possibilidade de ampliar a visão para o mundo e curtir algumas viagens legais.

Marca registrada

Marca registrada

Os caras pagaram o preço por ser esse o primeiro grande festival de música da história. Até então, os músicos estavam diante de platéias de no máximo dez mil pessoas, exceto, claro, os Beatles que lotavam estádios, mas que em 1969 já não se apresentavam ao vivo desde seu último show em San Francisco nos idos de 1966. Mas, toda a atmosfera da contracultura do final dos anos 60, o movimento Hippie e sua cultura da paz e amor, a resistência à guerra do Vietnã, a ainda ressaca do verão do amor vivida na San Francisco de 66, fizeram com que centenas de milhares de jovens de todo o mundo deixassem seduzir-se pela proposta inovadora do festival: mergulhar no meio do nada, durante três dias de muito sexo, drogas e rock’n roll, numa celebração histórica de toda revolução social vivida na segunda metade dos anos 60.

Pra se ter uma idéia, foram consumidas quase 25 toneladas de maconha, fora a quantidade absurda de LSD, heroína, mescalina, haxixe e por aí vai. Foram 400 atendimentos médicos no festival e apenas uma morte por overdose de heroína. Curiosamente, havia uma tenda para bad trips. Ou seja, caso você estivesse numa viajem ruim, causada por seja lá o que for, era encaminhado pra essa tenda pra esperar a “chuva” passar.

Woodstock 69

Woodstock 69

Obviamente, todas essas questões de infra-estrutura serviram de base para a concepção dos milhares de festivais que, a partir do Woodstock, começaram a acontecer ao redor do mundo, unindo tribos, divulgando bandas e mantendo viva a cultura do rock.

Mas o festival também trouxe um revolução cultural para todo o mundo, pois tudo transcorreu num clima de paz, com direito a apresentações memoráveis de Hendrix, Joplin, Santana, Joe Coker, imortalizadas em um documentário que foi lançado no ano seguinte e fez com que o resto do mundo tomasse conhecimento do festival da paz , do amor e da escolha por uma vida mais saudável e natural, distante das cidades e do industrialismo crescente. A proliferação do estilo de vida alternativo, do respeito à natureza e da busca pela harmonia entre o homem e o planeta em que vivemos, tem origem no Woodstock.

Muita coisa presente hoje na cultura do rock também tem sua origem por lá e os festivais que hoje acontecem em todo mundo, tentam de alguma forma extrair a essência do Woodstock e por isso que muitos são realizados em locais afastados da cidade, campos, desertos, fazendas ou qualquer lugar onde se possa armar uma barraca e tomar banho de lama. Aqui no Brasil, o festival que mais se aproximou desse espírito foi o Rock in Rio, na sua primeira edição, em 1985, que teve uma ótima repercussão e fez com que o Brasil aparecesse como uma viável opção para as turnês internacionais de grandes artistas.

O documentário sobre o Woodstock é uma ótima amostra do que aconteceu por lá, e compõe uma obrigatória videografia sobre o universo e a cultura da música dos anos 60 e de sua influência até os dias hoje. Toda vez que você, em um festival de música, encontrar alguém sujo de lama, tomando banho pelado num rio, expondo suas expressões artísticas ou pregando o amor livre, saiba que o marco zero desse tipo de manifestação cultural foi agosto de 1969.

Abaixo, o set list do festival:

Sexta-Feira, 15 de agosto

• Richie Havens (destaque para a versão de Strawberry Fields Forever)
• Country Joe McDonald
• John Sebastian
• Sweetwater
• The Incredible String Band
• Bert Sommer
• Tim Hardin (tocou apenas duas músicas em uma hora de apresentação)
• Ravi Shankar (velho amigo de George Harrison)
• Melanie
• Arlo Guthrie
• Joan Baez

Sábado, 16 de agosto

• Quill
• Keef Hartley Band
• Santana
• Canned Heat
• Mountain
• Janis Joplin
• Grateful Dead (Com direito a falhas técnicas como buracos no palco e guitarras que davam choques)
• Creedence Clearwater Revival
• Sly & the family stone
• The Who
• Jefferson Airplane (começou o show às seis da manhã)

Domingo, 17 de agosto

• Joe Cocker
• Country Joe and the Fish
• Ten Years After
• The Band
• Blood, Sweat & Tears
• Johnny Winter
• Crosby, Stills, Nash & Young
• Paul Butterfield Blues Band
• Sha-Na-Na
• Jimi Hendrix (a essa altura, os atrasos já tinham contabilizado nove horas. Quando Hendrix entrou na manhã de segunda-feira, apenas 35 mil resistentes felizardos viram ao show)

sexta-feira, 7 agosto , 2009 Posted by | Música | 3 Comentários